No período de férias escolares, começamos a falar e pensar na palavra “descanso”, o que de maneira geral acaba por excluir desse período, a busca pelo desenvolver novas e pouco conhecidas habilidades.

Não posso negar que após um período de muito esforço físico e/ou mental todo ser humano precisa se recuperar do desgaste, mas também não podemos esquecer que a aquisição de novos conhecimentos é, antes de qualquer coisa, uma das brincadeiras mais felizes que as crianças desfrutam em sua primeira infância. O que não deve ser considerado apenas como uma mera característica desse período do desenvolvimento, e sim um diferencial entre os humanos e os demais seres desse planeta.

O prazer de “aprender-se” a partir de estimulantes oportunidades, junto a amigos ou familiares (em boas doses de convivência e troca de ideias) ou até mesmo aos equipamentos de tecnologia da informação (desde que usados com muita moderação), alimenta e fortalece o ser humano para suas futuras experiências e cobranças.

Quanto mais aprendo, quer por histórias próprias ou compartilhadas por outros, mais apto e sereno me torno para equilibradamente me posicionar em futuras situações do cotidiano, especialmente nas adversas.

Assim, com a chegada do período de recesso escolar pode ser de grande importância para o próprio processo de aprendizagem, em que os alunos repousando seus materiais acadêmicos, tem a possibilidade de usufruir da escola discretamente embutida em parques, filmes, tintas, notas musicais, outros sites e livros, bem como nas doces histórias de pais e avós durante refeições preguiçosas, recheadas de saberes e sabores (como diria Rubem Alves). Em muitos casos, até um simples passeio pelo quarteirão ou uma ida ao supermercado, não pela simples obrigação e urgência da necessidade e sim pelo prazer de garimpar as prateleiras em busca do algo especial para o dia seguinte, pode ser educativo e muito feliz.

Garimpeiros, com o passar do tempo tendem a se tornar pessoas carregadas de histórias, detalhistas e pacienciosos.

Para concluir, não é recomendável desperdiçar esse sonhado período apenas com cama, comida e repetição de atividades habituais, por mais que pareçam satisfatórias e agradáveis. A vida nos oferece milhares de possibilidades e o futuro cada vez mais solicita que aprendamos e nos posicionemos diante de sua diversidade e cobranças.

Se essa proposta, recheada de atividades te assusta, quanto a necessidade do recrear, observe que esse verbo significa “distrair” o que em outras palavras pode ser definido pelo “chamar a atenção de alguém para outros objetos ou pontos de vista”. Quanto mais pontos buscamos compreender, mais descansamos, pois como disse Aristóteles: “… a função primeira do conhecimento é levar o homem a vencer seus próprios medos”.

O descanso está na paz e serenidade que vem Daquele que nos habita e consola, como está escrito em Salmos 94-19: “Na multidão dos meus pensamentos dentro de mim, as tuas consolações recrearam a minha alma”.

GUILHERME DAVOLI

Psicólogo, psicoterapeuta, professor e consultor empresarial e educacional. Autor de vários livros de auto-ajuda. Ministra cursos, palestras e oficinas em empresas, órgãos públicos e instituições de ensino.

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