Obama achou que seu maior legado seria a reforma do sistema de saúde americano, aprovado quando tinha apoio da maioria no Congresso. Com a eleição de Trump, a sua maior conquista pode estar ameaçada. Enquanto candidato, Trump prometeu simplesmente abolir o “Obamacare”. Depois de eleito, contudo, ele já mudou o discurso e admitiu manter o que chamou de “partes boa” do programa.

Em entrevista recente ao programa “60 Minutes”, Trump disse que pretende manter a cláusula que não permite planos de saúde recusar pessoas com doenças pré-existentes. Ele também se comprometeu a conservar o direito de pais manterem filhos de até 26 anos em seus planos familiares.

Isso é um sinal de que o presidente eleito sabe que não vale a pena simplesmente abolir uma lei que foi discutida e aprovada por ambos os partidos. Como toda grande mudança, ela não saiu perfeita e precisa, sem dúvida, passar por reformas.

Além disso, Trump sabe que não pode deixar cerca de 22 milhões de novos assegurados sem nenhum tipo de assistência da noite para o dia. Qualquer mudança proposta por ele e aprovada pelo Congresso terá que ser posta em prática aos poucos. Isto é, haverá um período de transição.

Como Trump passou a campanha toda dizendo que iria abolir o Obamacare, mas nunca apresentou uma proposta para substituí-lo, fica difícil saber o que vem por aí. Mas levando em conta que o Congresso já vem discutindo possíveis mudanças na lei há muito tempo, resta ter esperança de que as mudanças serão para melhor e que irão beneficiar igualmente a população.