Durante mais de 15 meses, ele prometeu construir um muro entre o México e os Estados Unidos e deportar milhões de imigrantes indocumentados. Agora, como presidente-eleito, Donald Trump ainda formula seu plano de governo e deixa os imigrantes e grande parte dos eleitores americanos apreensivos sobre até que ponto ele cumprirá as suas promessas de campanha.

Os Estados Unidos são um país com instituições muito firmes e independentes. Os três poderes também são bastante independentes e realmente atuam equilibrando o sistema. Isto é, o presidente não governa sozinho! Para colocar em prática muitas das suas promessas, Trump vai precisar da aprovação do Congresso. É válido lembrar que, embora tenha sido eleito como candidato do partido republicano, ele não é um republicano “de carteirinha”. Ele sabia que uma candidatura como independente não lhe traria muito suporte. Trump não é bem visto por muitos dentro do partido republicano, e conquistar o apoio da maioria para colocar em prática medidas impopulares, não será nada fácil.

Por exemplo, para construir o tal do muro que serviu de fio condutor da sua campanha, ele vai precisar de muito dinheiro. Essa verba tem que ser liberada pelo Congresso. Mas a aprovação vai depender de várias outras medidas.

Trump está prometendo reduzir impostos. Os impostos constituem o salário do governo. Se o governo reduzir o seu próprio salário e não reduzir as suas despesas, a sua dívida com certeza irá aumentar. Diante da possibilidade de ter que cortar gastos ou pelo menos tentar não aumentar significativamente a dívida do governo, será que o Congresso vai aprovar a liberação de tanto dinheiro para a construção de um muro que muito provavelmente não vai resolver o problema da imigração ilegal no País?

Por outro lado, a deportação de imigrantes indocumentados é decidida pelo poder executivo. O presidente Obama durante o seu primeiro mandato deportou em torno de 400 mil imigrantes anualmente. No segundo mandato, ele reduziu as deportações para menos de 200 mil anualmente. Foi tanta gente mandada embora, que Obama chegou a ser chamado por ativistas latinos de “Deporter-in-Chief”.

Trump provavelmente não vai conseguir deportar muito mais do que isso. O governo não tem dinheiro, centros de detenção, nem agentes suficientes para deter tanta gente. O presidente eleito anunciou que o plano inicial é mandar embora imigrantes com antecedentes criminais. Segundo estimativas dele mesmo, há entre 2 e 3 milhões de imigrantes nesse grupo. Isso significa que, tendo capacidade para deportar cerca de 400 mil pessoas por ano, Trump vai precisar de no mínimo 5 anos para cumprir a sua meta.

Imaginem agora deportar 11 milhões de pessoas, número estimado de indocumentados no país. Parece impraticável! Contudo, devemos levar em conta que Trump pode tomar várias medidas para dificultar a vida dos imigrantes sem documentos, e com isso fazer com que muita gente vá embora por conta própria.

Além disso, mesmo que não sejam alvos de deportação, os imigrantes temem continuar à margem, já que a possibilidade de uma reforma da imigração com caminho para a legalização e posterior cidadania não está na lista de prioridades do novo governo e do Congresso republicano.

Enquanto o novo presidente não toma posse, tudo será apenas especulações. O melhor é manter-se informado e não tomar nenhuma atitude precipitada.