Rádio ONU: O Brasil, neste caso o Rio de Janeiro, está pronto para receber e inaugurar as Olimpíadas em cinco de agosto?

Leonardo Picciani: Olha, o Rio de Janeiro e o Brasil estão absolutamente prontos para o início dos Jogos Olímpicos, em cinco de agosto. A maioria dos equipamentos esportivos já estão entregues, já estão prontos para receber os eventos. Teremos no início de agosto, antes da abertura dos jogos a inauguração da Linha 4 do Metrô, recentemente a cidade teve também uma série de inaugurações de obras de mobilidade e de transporte, como o VLT no centro da cidade, a duplicação do elevado do Joá, o novo túnel do Joá, que dá acesso à Barra da Tijuca um dos pontos onde haverá mui- tas competições, onde fica o Parque Olímpico, a Vila Olímpica, o centro de mídia dos jogos olímpicos. Portanto, o Rio de Janeiro está absolutamente pronto para dar início aos Jogos Olímpicos e receber a todos muito bem.

RO: Bom, como nós sabemos o Rio de Janeiro já foi sede de vários eventos internacionais com sucesso e também eventos esportivos. Mas há analistas e até atletas que estão preocupados com algumas questões. Por exemplo, a poluição da Baía de Guanabara, a questão do vírus zika e o risco de contaminação, e também a insegurança na cidade do Rio de Janeiro. Como é que o governo responde a essas questões?

LP: Primeiro, nós estamos tomando todas as medidas para que nenhuma dessas preocupações ocorram durante os Jogos Olímpicos. Em relação à Baía de Guanabara, nós tivemos uma extraordinária evolução, muito embora nós ainda tenhamos um alvo a perseguir. Muito ainda precisa ser feito. Nós saímos de apenas 11% de tratamento para 51% de tratamento durante a preparação para os Jogos Olímpicos, fazendo frente a um passivo de décadas e décadas. Mas nós temos um objetivo de chegar a 80% de tratamento, perseguiremos esse objetivo mesmo depois dos Jogos Olímpicos, porque essa é uma conquista dos moradores da cidade do Rio de Janeiro, dos brasileiros e de pessoas de todos os países, de todos os cantos do mundo que visitam o Rio de Janeiro. Em relação ao vírus zika, o Brasil tem cumprido todos os protocolos de combate ao mosquito e mantido uma estreita interação com a Organização Mundial da Saúde e tem obtido bons resultados. O primeiro bom resultado é a participação maciça da população. Com relação a segurança, que é uma questão seríssima e não pode jamais ser subestimada, o Brasil tem feito todos os esforços e o Rio de Janeiro, como você dizia na pergunta tem tradição de sediar eventos importantes, como a Jornada Mundial da Juventude com o papa, a final da Copa do Mundo de 2014, a Copa das Confederações, a Rio+20, os Jogos Panamericanos, vai sediar em 2019 a Copa América. Portanto, todos os protocolos têm sido cumpridos, todos os efetivos disponibilizados, tanto das forças armadas como das forças de segurança pública e a cooperação com mais de 100 países que enviarão policiais para participar do Centro de Comando e Controle, ajudando na operação de inteligência e segurança dos Jogos Olímpicos.

RO: Vamos falar sobre legado dos Jogos Olímpicos. Organizar Olimpíadas não é barato para nenhum país que já passou por essa experiência e também, não é barato para o contribuinte que leva os seus impostos para esse tipo de evento também. O que o Sr. espera do legado dessas Olimpíadas para a cidade? Nós sabemos que uma das arenas vai ser transformada logo depois em uma escola, mas, que outros legados se pode esperar desses jogos?

LP: Em primeiro, é importante registrar um dado fundamental, a organização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro teve 60% de capital privado, de parceria com investidores privados, e apenas 40% de dinheiro público, de dinheiro que sai dos impostos, dos tributos dos contribuintes. É a organização dos Jogos Olímpicos mais barata desde Barcelona, em 1992, vai custar praticamente metade do que Londres, em 2012. Em relação ao legado, além das instalações que ficarão para a cidade, que permitirão a prática esportiva, algumas áreas serão convertidas em escolas, em centros de treinamento ou em áreas de lazer. Nós tivemos muitos investimentos também em infraestrutura para a cidade. Algo que eu con- sidero fundamental: as olimpíadas vão inspirar as crianças e os jovens brasileiros a praticarem os esportes em suas mais diversas modalidades. É um desafio para o governo conseguir fazer com que essas modalidades tenham locais onde os brasileiros de todas as regiões possam praticar.

RO: Agora, para terminar, o Sr. falou em judô, que parece ser a grande aposta do Brasil nestes Jogos Olímpicos. Mas eu não posso deixar o ministro do Esporte terminar essa entrevista sem dizer para qual ou para quais modalidades ele vai torcer?

LP: Olha, eu vou torcer para todos os atletas brasileiros, tanto para os atletas olímpicos como os paralímpicos. Espero que a nossa delegação tenha o maior sucesso possível. Eu pratiquei judô quando era criança, então é uma das modalidades que acompanharei com atenção. Hoje em dia sou praticante do ciclismo de estrada e também acompanharei este esporte e outras modalidades. Nós temos o futebol, que é uma paixão do brasileiro, o vôlei de praia, que são modalidades que o Brasil gosta muito, acompanha muito. Mas enfim, o basquete, o atletismo e a natação, todas as modalidades olímpicas.