maluMeu nome é Adriana Maluendas, e eu estava presente no Ground Zero, assim como é chamada a área onde se encontravam os edifícios do World Trade Center (WTC) que desmoronaram após os ataques terroristas em 11 de setembro de 2001, quando quase perdi minha vida. Eu fui testemunha do horror, dor, sofrimento, devastação causada pelo ódio de alguns fanáticos radicais terroristas. Durante quase uma década e meia, tenho lutado para encontrar a cura dos traumas sofridos daquele dia. Traumas físicos, mentais e espirituais. Estou relatando em detalhes minhas lutas em resgatar meu antigo “eu” em um livro/memória que deverá estar disponível no próximo ano.

Eu tive o privilegio e honra de estar presente na abertura oficial do Nacional 9/11 Memorial e Museu, que tem desempenhado um papel único e muito especial em meu processo de cura, e em meu resgate pessoal. Eu tenho que admitir que foi um desafio para eu retornar ao lugar onde se localizava o hotel em que estava hospedada, pois foi ali que as torres gêmeas haviam caído, bem ao meu redor. Mas, com todos os medos, eu sabia que seria um desafio voltar lá, porém era algo que eu tinha que fazer, e eu não me arrependo.

Essa visita ao museu me provou o quão forte o espírito humano pode ser e quanto nós, seres humanos estamos dispostos a nos arriscar para ajudar ao próximo, inclusive colo- cando em risco nossas vidas.

Quem visita o museu, sai com um maior apreço pela vida e com um propósito mais acentuado em ajudar outras pessoas. A história que o museu revela homenageia histórias individuais de dor, perda e de superação – e mostra como flores podem desabrochar por baixo da neve derretida. Isso nos ajuda a nos preparar para um futuro melhor, e que tristezas anteriores podem nos ajudar a apreciar as alegrias do futuro.

Gostaria que todos os cidadãos dos EUA pudessem ter a oportunidade de visitar o Memorial, e poder captar uma visão pessoal deste acontecimento trágico. Eu espero que no futuro possamos nos lembrar que, quando a cidade foi atacada, o povo americano se reuniu, e se ergueu enfrentando o mundo. Espero também que as pessoas de outros países, especialmente o do meu país de origem, o Brasil, venham também visitar o museu e poder ter uma melhor compreensão do que é que tornam os EUA um grande país e o que faz dos americanos serem parte de uma grande nação com sua capacidade de reagir à adversidade e se tornar mais forte do que nunca.

Memorial-Nacional-11-de-Setembro-4Mas, o que podemos aprender sobre o atentado terrorista? A pergunta “Por quê?” tem estado muitas vezes no meu coração e nos meus lábios, pois está além da minha capacidade de compreender um nível de maldade e de ódio que levaria aos ataques realizados naquele dia. Apesar da minha formação católica, vai além do meu coração humano limitado, perdoar e amar livremente os indivíduos responsáveis pelos ataques e aqueles que, até hoje, querem destruir qualquer um que não adere à sua forma de adoração, ou melhor dizer suas ideologias destrutivas.

Claro que, hoje, não se trata de culpar ou perdoar. Trata-se de recordar e honrar. É sobre a tentativa de trazer significado a um ato insensato. Tudo o que aconteceu naquele dia; todos os que sofreram ou morreram; cada história, aqueles que sabem e aqueles que nunca mais poderão ouvir, afinal tudo merece ser lembrado e homenageado.

Estou aqui para lembrar e homenagear aqueles que perdemos naquele dia e para adicionar a minha história a este legado. Eu carreguei alguns objetos comigo naquele dia. Agora eu estou doando estes objetos ao museu por várias razões. Para mim, pessoalmente, espero que isso ajude a liberar um pouco da dor emocional que eu tenho carregado por tantos anos. Para aqueles que ainda irão visitar o museu, espero que sirva de lembrete e mostre o quão pouco tempo as vítimas tiveram e qual foi o tamanho da destruição naquele dia.

Finalmente, espero que estes pequenos pedaços plásticos e papeis sirvam como uma luz de esperança e força. Esperança que, no futuro, vamos encontrar uma maneira para que ninguém sinta necessidade de ser tão destrutivo, e força para resistir aos desafios que estão determinados, e enfrenta-los com esperança a realidade.