Quem estiver apenas ouvindo e não os assistindo tocar ao vivo, terá a clara impressão de que se trata de adultos que dedicaram anos de suas vidas para aprender seus instrumentos. Na realidade, os músicos têm apenas 14 anos de idade.

Os irmãos gêmeos Ariel e Ben Chamis tocam desde muito cedo; Ben desde os 4 anos, quando começou piano de ouvido, e Ariel, que tem aulas de violão desde os 6 anos. Não é de surpreender que se sentiram atraídos pela música, afinal seu pai, Flavio, é maestro, compositor, produtor de eventos musicais e indicado ao Grammy Latino. Sua mãe, Tatjana, é “Associate Principal Viola” da Orquestra Sinfônica de Pittsburgh e tem tocado música de câmara com alguns dos maiores nomes da música clássica.

“Eles realmente cresceram cercados de música”, conta Flavio Chamis, que também é “dublê de empresário”, e acrescenta rindo que também atua como roadie, copista, motorista e tudo o mais que se fizer necessário … “it’s just one of those things”

Ben, o mais jovem dos gêmeos por exatos 13 minutos, prefere tocar jazz e música brasileira, especialmente Bossa Nova. “Posso tocar música clássica, mas não é tão divertido quanto jazz”, diz ele. Atualmente tenho escutado tudo o que encontro do Edú Lobo. Ariel também prefere jazz e toca em uma banda de rock chamada Feed-Back com quatro amigos.

Ambos cursam a nona série no North Allegheny School District, também onde cantam no coral da escola. Ben com frequencia é o pianista acompanhante do côro. Além de música, Ben pratica “Ultimate Frisbee”, futebol e basquete, e Ariel futebol, basquete e cross-country.

Os meninos são artistas experientes, tendo tocado no Festival Latino Americano da Universidade de Pittsburgh nos últimos quatro anos, bem como na Carnegie Library, William Penn, Shady Side Academy e concertos solo na Christine Frechard Art Gallery. Eles já se apresentaram para algumas audiências de centenas de pessoas, e Ben tocou em um concerto de Mozart no Programa Prelúdio, da TV Cultura de São Paulo.

“Nós ficamos um pouco nervosos antes de um concerto, mas uma vez que a música começa, imediatamente nos acalmamos,” disse Ariel. Além de tocar, os meninos contam histórias sobre as músicas e seus compositores, desenvolvendo a arte de falar em público, que seu pai acredita que será útil futuramente.

Nos últimos meses, os gêmeos também tocaram inúmeras vezes em lares de idosos e casas de repouso, sempre gratuitamente. “Com frequência temos reações e comentários super positivos”, disse Ben. “As pessoas mais velhas são profundamente tocadas pela música. E a maioria nunca ouviu essas peças executadas por pessoas tão jovens, então eles acham que é charmoso. Alguns cantam junto conosco, especialmente jazz standards mais conhecidos ou Garota de Ipanema, e alguns até choram. Mas, nós realmente ficamos felizes quando nossa música faz as pessoas se sentirem bem.

“Eles costumam perguntar a nossa idade, e vários tentam colocar gorjetas em nossas mãos”, acrescentou Ariel. “E eles nos agradecem – muito.”

Como preparo para seus shows, Ariel e Ben estudam cerca de meia hora por dia. Eles também têm aulas com distintos professores de música clássica, jazz e rock, e até mesmo via Skype com seu professor brasileiro, o excelente pianista Luiz Gustavo Zago, a quem conheceram em 2012, quando passaram um ano sabático em Florianópolis.

“Eu não gosto muito de estudar piano; mas certamente temos uma boa sensação depois do um concerto bem sucedido”, disse Ben.

Quanto ao futuro, por enquanto nenhum dos meninos demonstra interesse em se tornar músico professional. “Posso tocar por mais alguns anos, mas não acho que terei muito tempo livre na faculdade”, disse Ben, que sonha com uma futura carreira no campo da nutrição.

“Eu provavelmente vou continuar tocando guitarra elétrica por diversão”, acrescentou Ariel, que pretende se concentrar em medicina.

De acordo com Flavio, a decisão cabe a eles. “A música é obrigatória por enquanto, mas não há problema se eles não quizerem continuar tocando. Eles farão com certeza, muito bem tudo aquilo que vierem a escolher.”

Para saber mais, visite www.facebook.com/ArielandBen ou envie um e-mail para arielandben2016@gmail.com.