Em dias de tantos casos de violência de diversos tipos contra a mulher, todo e qualquer movimento em prol de um alerta nesse sentido se torna útil e socialmente produtivo.

Em novembro de 2016 a editora Dark-Side Books, que por sua vez atualmente publica os livros da criminóloga Ilana Casoy sobre crimes reais, abriu as portas a novos talentos e escolheu dois escritores brasileiros para publicar. No catálogo da editora ainda não havia nenhum autor nacional de ficção publicado. Foi um momento de valorização a literatura nacional e um dos nomes publicados foi o da escritora gaúcha Rô Mierling lançando o livro Diário de uma Escrava, que obteve mais de um milhão e meio de leituras na plataforma de leitura digital Wattpad.

Esse livro, que em apenas poucas semanas já esteve no ranking dos mais vendidos da Amazon e Submarino, encontrando destaque nas estantes das livrarias físicas de todo o Brasil, e com muitas resenhas na rede social literária Skoob, aborda um tema forte e chocante: o sequestro e a escravidão sexual de uma menina de apenas 14 anos.

O livro conta sobre anos de escravidão, tortura, estupros e privações dos mais diversos tipos. De forma extremamente crua, descritiva e violenta, o livro joga na cara do leitor o que pode acontecer quando uma adolescente é sequestrada para fins sexuais.

Gerando grandes polêmicas entre leitores e críticos, o livro está sendo analisado para fins de adaptação para o cinema e mostra que o final de muitas histórias pode não ser exatamente como os otimistas esperam.

Cenas de estupro, sodomia e assassinato são descritas em detalhes, o que aterroriza muitos leitores, mas não deixa de servir como um verdadeiro “sacode” na sociedade que muitas vezes imagina que o mal bate apenas a porta do vizinho.

O livro segue sua jornada levantando opiniões diversas e serve como alerta para o cuidado com nossas meninas e mulheres. Com uma história muito bem escrita, embasada em diversas pesquisas e um enredo perfeitamente desenvolvido, o livro atinge de forma hábil o seu objetivo: chegar a todos os tipos de leitores e deixar a mensagem de que é melhor prevenir do que remediar quando o caso é a violência sexual e psicológica.

O livro está disponível em todas as livrarias do Brasil e é uma excelente dica de leitura para nossa sociedade.

Por Fernanda Ribeiro, jornalista e roteirista