Em participação no lançamento da Campanha Doe Leite Materno, do Ministério da Saúde, o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil, Joaquín Molina, afirmou que as ações do país para estimular o aleitamento materno são uma referência para o mundo.

“O Brasil tem sido um exemplo para outros países e isso se deve às suas políticas, regulações, estratégias e iniciativas de educação para toda a população sobre a importância do aleitamento. Precisamos aqui dar os parabéns também às brasileiras porque elas foram responsáveis por aproximadamente 90% da coleta dos mais de 1 milhão de litros de leite doados no mundo nos últimos anos”, afirmou o dirigente.

A OPAS recomenda que bebês sejam alimentados exclusivamente com o leite da mãe durante os primeiros seis meses de vida e que a amamentação continue acontecendo, junto com a introdução de outros alimentos, por até dois anos ou mais.

No Brasil, a agência regional das Nações Unidas criou em 2015 uma Sala de Apoio à Amamentação, onde a mulher em fase de amamentação pode armazenar seu leite em frascos. O líquido é mantido em um freezer a uma temperatura controlada. No fim do expediente, a mãe pode levar seu leite para casa e oferecê-lo ao filho ou doá-lo a um Banco de Leite Humano.

Uma pesquisa publicada no periódico The Lancet afirma que o aleitamento materno está associada a uma redução de 13% na probabilidade de prevalência de sobrepeso e/ou obesidade e uma redução de 35% na incidência de diabetes tipo 2.

A OPAS alerta que o direito à amamentação em locais públicos deve ser garantido a todas as populações, bem como outros direitos envolvendo a ausência justificada do ambiente de trabalho para cuidar dos recém-nascidos.

Somente dez de 38 países nas Américas (Belize, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Panamá, Peru e Venezuela) concedem pelo menos 14 semanas de licença maternidade, conforme recomendado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esse cenário não favorece a prática do aleitamento tal como defendida pela OPAS.

Um estudo publicado no American Journal of Health Promotion desmistifica suposições equivocadas e mostra que mães que amamentam se abstêm menos do trabalho do que as que dão fórmula infantil aos filhos. Isso porque os problemas de saúde das crianças alimentadas com leite materno costumam ser menos frequentes e graves.

Nos Estados Unidos, os prejuízos da amamentação abaixo do recomendado é de 13 bilhões de dólares para crianças – excluindo da conta os efeitos cognitivos – e de 17,4 bilhões de dólares para as mães.

Fonte: ONU BR