A dúvida na hora de escolher uma carreira profissional não é só privilégio de estudantes às vésperas de exames vestibulares.

Infelizmente, está cada vez mais comum nos depararmos com profissionais “adultos em meio de carreira” insatisfeitos com as escolhas do passado, que se sentem prisioneiros de seus diplomas, se questionando e querendo mudar o rumo de suas vidas profissionais, porém com muito medo da crítica de familiares e amigos ou mesmo de um novo arrependimento.

Se em um passado recente seguir uma profissão era uma decisão sem grandes conflitos, ao ponto de muitos darem início e se aposentarem em uma mesma empresa, a velocidade das mudanças sociais, com novas cobranças e alternativas vem gerando um nítido aumento do medo de errar em cada decisão. A sensação de impotência diante de um “sucesso obrigatório” sempre apavora.

De maneira geral, isso acontece porque nossas escolhas costumam ser feitas baseadas em informações não experimentadas e debaixo de uma chuva de opiniões que merecem ser ouvidas, desde que não oprimam com frases do tipo “Olha lá… Você vai acabar me dando razão…”.

Nesse contexto, desde um jovem em fase de vestibulares, até um bem-sucedido, porém insaciável, profissional experiente, sofrem. É como se toda manhã tivéssemos que ter a resposta certa para a pergunta que o dia nos reserva.

Estranho, mas estamos aprendendo, a duras penas, que ter muita informação não garante tranquilidade; apenas nos sufoca. Necessário mesmo é o exercício da maturidade resultante do ouvir, experimentar e filtrar os prós e contras de cada situação para, aí sim, tomar decisões, nunca se esquecendo que a certeza jamais esteve ou estará disponível.

Um estudante só pode optar por uma profissão se ele conhecer “in loco” tal carreira da mesma forma como um empresário só estará apto a guinada em sua carreira depois que se cercar de dados palpáveis a respeito do caminho em que pretende se aventurar.

Duas verdades que me parecem claras são as de que ninguém nasceu para ser “isso ou aquilo” e que inteligência é a capacidade de solucionar problemas quando e da forma como eles aparecem.

Nascemos com um conjunto de competências que são despertadas pelas oportunidades ou necessidades do dia a dia.

Em razão dessa falta de maturidade, grande parte dos estudantes continuam realizando suas escolhas profissionais baseadas em critérios como: cursos que levariam a melhores remunerações, status da universidade A ou B, influência de família e/ou amigos, proximidade física da instituição de ensino, curso mais fácil de passar, instituição mais barata, enfim nenhuma escolha feita com reflexão e consciência, enquanto muitos profissionais gastam grande parte de seus tempos em elucubrações de como atingirem o próximo ponto de sucesso, antes dos temidos concorrentes.

Por outro lado, percebemos também, que muitas outras pessoas até sabem o que querem para si, mas por medo, insegurança ou até mesmo algumas dificuldades, acabam postergando suas escolhas e novos rumos, sabotando assim suas potencialidades.

O medo de errar cria e alimenta o hábito de postergar.

É preciso estarmos sempre atento aos sinais para perceber quando que uma dificuldade se revela e enfrentá-la com discernimento.

Nesse sentido, é comum observarmos que quando começamos a perceber que não fizemos a melhor escolha por sentirmo-nos decepcionados, muitas vezes terceirizamos as responsabilidades, apontando um culpado (a família, a escola ou (quando já profissional) a empresa, o chefe, o salário), passando a ter atitudes de “inconvenientes que só reclamam”.

O conjunto de todos esses sentimentos de frustração podem passar então a nos prejudicar em aspectos quer físicos, sociais, psicológicos… implodimos.

Não é por acaso que as doenças psicossomáticas estão aumentando cada dia mais, e a insegurança diante de escolha tem se apresentado como uma de suas maiores raízes.

Em uma de suas falas, o professor Mario Sérgio Cortella diz que o melhor caminho, (sob a premissa de que todo profissional que de fato se esforce e busque se capacitar é capaz de obter sucesso, seja qual for o ramo pelo qual enverede), está em lembrarmos que:

“Carreira não é só emprego.
É também, e precisa ser, território do trabalho.
Emprego é fonte de renda e trabalho é fonte de vida.

É preciso escolher uma profissão na qual o foco na renda não obscureça a fonte de vida, não nos esquecendo que a fonte de vida necessita de renda para sustentar-se.”

GUILHERME DAVOLI

Psicólogo, psicoterapeuta, professor e consultor empresarial e educacional. Autor de vários livros de auto-ajuda. Ministra cursos, palestras e oficinas em empresas, orgãos públicos e instituição de ensino.
www.guilhermedavoli.com.br