A depilação a cera dos pelos pubianos é uma prática cada vez mais comum no mundo. Curiosamente, um estilo específico de depilação acabou conhecido como “Brazilian wax”.

“A Brazilian bikini wax nasceu em Nova York e não no Brasil”, explicou Jonice Padilha, do salão J.Sisters, em Manhattan. O estabelecimento, foi pioneiro, no início da década de 1990, na popularização desse tipo de depilação no exterior.

Jonice Padilha é a mais nova de sete irmãs cujos nomes começam com a letra “J” e acabaram conhecidas como J.Sisters (Irmãs J) porque os americanos não conseguiam pronunciar seus nomes.

Hoje, o salão é popular entre ricos e famosos, e as irmãs dizem ganhar até US$ 6 milhões (R$ 19,2 milhões) por ano com depilação e tratamentos para cabelos e unhas.

A trajetória das irmãs será contada no livro Wax and the City, da escritora brasileira Laura Malin, ainda sem data certa para publicação. Também há planos de se levar a história para as telas de cinema.

“É uma história inspiradora, de mulheres que venceram por conta própria, que vieram do nada, imigrantes ilegais que alcançaram o sucesso nos Estados Unidos”, conta Malin.

Jocely não falava inglês, explicou Malin. Mas aos poucos se tornou uma especialista na restauração das unhas danificadas. Sua reputação cresceu e ela acabou atraindo um freguês poderoso: o magnata comerciante de armas Adnan Khashoggi.

Por intermédio dele, Jocely conheceu pessoas influentes, como Brooke Shields, Rod Stewart e editores de revistas de moda como Elle e Marie Claire e suas irmãs vieram trabalhar com ela.

Em 1987, as irmãs abriram seu primeiro salão de manicure. Poucos anos depois, as capixabas começaram a oferecer um estilo diferente – e até então sem nome – de depilação a cera. Em vez de retirar apenas os pelos da virilha, a nova técnica removia tudo, deixando apenas um pouco de pelo, como decoração, na região frontal.

Mais tarde batizada de Brazilian wax, a técnica tinha surgido a partir de uma ideia de uma das irmãs, Janea.

Na década de 1970, em férias na Bahia, Janea tinha ficado chocada ao ver pelos pubianos saindo pela parte de trás do biquini de uma jovem na praia.

“Quer dizer que temos pelos ali?”, pensou Janea.

Depois de ter a confirmação, em casa, em frente ao espelho, ela foi a um salão e pediu à depiladora que retirasse os pelos indesejados do seu traseiro. “Você está louca? Não vou tocar você aí”, respondeu a esteticista. Mas Janea estava determinada. Munida de cera quente e um espelho, ela decidiu se depilar sozinha. Depois de algumas tentativas – um tanto quanto dolorosas – conseguiu alcançar seu objetivo. O próximo passo foi convencer as irmãs a fazerem o mesmo. A reação, disse Malin, foi entusiástica.

Questionamentos à parte, quando a depilação “brasileira” foi apresentada pelas capixabas às novaiorquinas, a moda pegou rápido. “Nosso único erro foi não batizarmos a técnica de J.Sisters wax, disse Jonice. Logo, apareceram rivais. Em revistas como Playboy e Penthouse, modelos também apareciam quase totalmente depiladas. Segundo Jonice, representantes da Playboy chegaram a telefonar para o salão, reivindicando a autoria da invenção. “A invenção é nossa, fazemos isso no nosso site”, teriam dito os representantes da revista.

Como defesa, Jonice teria dito que aquele tipo de depilação era comum no Brasil.

“Elas foram muito corajosas ao deixar uma cidade pequena no Brasil e seguirem para Nova York sem dinheiro e sem falar inglês”, disse Karen Castanho, produtora que trabalha em uma “dramédia” baseada na história das irmãs. “Elas têm tanta energia, nunca vi algo assim.” As filmagens para o longa J Sisters (o título é provisório) estão previstas para 2018.