Dostoiévski nos apresenta em Humilhados e Ofendidos uma verdadeira história de amor em um formato bastante novelesco, mas sem deixar de lado a psicologia e a filosofia. Os personagens apresentados pelo grande autor, são todos muito bem construídos e bastante realísticos na forma em que são retratados na antiga Rússia. Cada página virada nos traz a imensa vontade de conhecer mais e mais da história de Ivan Petróvitch, mais conhecido como Vânia, onde conta sua paixão por Natacha. É bastante interessante o modo como Vânia é a peça que uni todos os núcleos de personagens em Humilhados e Ofendidos. Ivan é um escritor em decadência, mas que por ter publicado um romance de sucesso demonstra interesse de praticamente todas as pessoas na história. Claro que, não fosse a personalidade de boa índole e, só por isso, já querido por todos, de nada valeria seu sucesso anterior.

Humilhados e Ofendidos é aquele tipo de romance que nos arrebata desde as primeiras páginas, algo característico de Dostoiévski. Mesmo apresentando uma história que pode soar até mesmo trivial, o autor consegue dar magnanimidade, transformando-a em algo espetacular. A escrita de Fiódor, como todos já devem saber, é um pouco densa, mas em nenhum momento, cansativa, pelo contrário, chega a ser o principal atrativo das histórias do autor. Pode-se dizer que mesmo em uma trama deveras trivial, como disse antes, Dostoiévski consegue nos mostrar uma tremenda crítica social através das situações em que são colocados cada um dos personagens da trama. A mesquinhez, a ganância, a traição são aspectos marcantes em grande parte de Humilhados e Ofendidos, o que o leitor já deve imaginar somente pelo título quase autoexplicativo.

A gama de sofrimento nos personagens de praticamente todos os livros de Fiódor Dostoiévski sempre é algo marcante e abundante, o que não foi diferente nessa bela história. A hipocrisia da sociedade também é muito presente, assim como a pobreza e a morte, notadamente e novamente muito co-mum ao autor. A exploração e o orgulho do ser humano não deixou de marcar presença também, pois existem personagens que passam o “diabo” para somente sobreviver à margem da pobreza e a infelicidade. A culpa e o altruísmo são tão fortes em alguns personagens que chega a nos incitar sentimentos de vergonha em muitas passagens do livro. A religião também é muito citada pela maioria dos personagens da história, o que é sempre apresentado em seus romances, tendo em vista sua educação religiosa dentro cristianismo ortodoxo, o que na verdade somente enriquece ainda mais seus personagens; muitos deles perturbados pelo isolamento ou pelas humilhações que são obrigados a aguentar, o que também demonstra, em diversas ocasiões, a fragilidade humana daquela época.

É em meio a isso tudo, que Dostoiévski consegue nos mostrar que apesar de tudo o amor é o motor principal de uma vida. É algo que nos atropela de uma forma que estamos dispostos a fazer qualquer coisa para vivenciarmos esse sentimento tão forte e muitas vezes até cruel. Humilhados e Ofendidos não chega a ser um “Crime e Castigo” [também publicado pela Martin Claret no Brasil], mas é uma história que te conquista a cada página virada, a cada personagem apresentado e a cada sofrimento ou alegria demonstrado na trama; é inegavelmente IMPERDÍVEL, para os amantes da boa literatura e em especial a russa apresentado pelo igualmente imperdível, Fiódor Dostoiévski. Sobre o autor: Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski foi um escritor, filósofo e jornalista russo. É considerado um dos maiores romancistas e pensadores da história, entre seus romances mais famosos estão Crime e Castigo, O Idiota e Os Irmãos Karamazov, romance que o colocaria no patamar de um dos maiores escritores de todos os tempos.

Jeffa Koontz
Crítico Literário
www.sagaliteraria.com.br