Adoro falar de discos voadores, extraterrestres e todos esses assuntos que te fazem ser ou uma pessoa muito interessante ou um enorme motivo de piada.

Passei o Carnaval com amigos em Peruíbe, no litoral sul de São Paulo – um lugar que não é aquilo “Nossa, vai ser meu fundo de tela”, mas mar e companhia boa são uma combinação que dificilmente dá errado. E, procurando por um roteiro interessante, foi quando descobri que Peruíbe é um dos principais pontos de turismo ufológico do Brasil.

O primeiro lugar curioso que visitei foi o Castelinho do Alemão, na Prainha, uma construção em estilo medieval erguida por um suposto nazista e que hoje abriga um deslocado quiosque de pastel. Diz a lenda que o homem mantinha prisioneira a própria mãe e que fazia experiências genéticas.

Entrei na propriedade a contragosto dos donos do quiosque e segui até onde o mato crescido deixou. Tinha uma torre, um forte, janelas originais com vitrais coloridos. Tudo muito misterioso e vale a pena ir até lá se você gosta de estranhezas como eu.

Tentei visitar as famosas ruínas do Abarebebê, um portal que dizem dar para outra dimensão e que é circundado por luzes sobrenaturais à noite. Na verdade, é o restolho de uma das primeiras igrejas do Brasil onde índios eram catequizados, tudo muito abandonado, desânimo total.

Há também a Ilha das Cobras, com suas cinco cobras por metro quadrado, o que torna a visitação impossível. A explicação, segundo os que defendem a lenda, é que as serpentes seriam guardiãs de um posto de abastecimento energético de naves interplanetárias. Não foi dessa vez que eu me juntei a esse grupo.

Minha frustração de não ter rolado um Carnaval ufológico acabou quando, durante uma noite maldormida, vi no céu uma luz branca que se movia a uma velocidade infinitamente maior que a de qualquer avião ou estrela cadente. Ela foi e voltou no meu campo de visão e simplesmente desapareceu no breu da noite. Foi só um gostinho. Talvez os extraterrestres não sejam lá muito chegados em Carnaval mesmo.

Fonte: viagemeturismo.abril.com.br, por Francine Michele