Preocupação excessiva, perda de controle sobre o ato de comprar; aumento progressivo do volume de compras; tentativas frustradas de reduzir ou controlar as compras; comprar para lidar com angústias ou outra emoção negativa; mentiras para encobrir o descontrole com compras; prejuízos nos âmbitos social, profissional e familiar; problemas financeiros. Essas são as principais características de indivíduos que apresentam o transtorno de compra compulsiva – a oniomania, palavra derivada dos gregos oné (a compra, a aquisição) e manía (a insânia, a fúria).

Segundo a psicóloga Tatiana Filomensky da Faculdade de Medicina da USP, estima-se que a maioria dos pacientes são mulheres.

O que leva uma pessoa a comprar compulsivamente, destaca a psicóloga, é que, muitas vezes, o ato de comprar serve como remédio para a angústia e a depressão, desperta nas pessoas uma sensação de bem-estar, prazer e satisfação. Para o comprador compulsivo, isso é muito mais. Ele vai em busca dessa satisfação com uma frequência muito maior, porque não consegue atingir essa satisfação de outra maneira. Muitos dizem que compram para preencher um vazio.”

A compra compulsiva foi considerada uma doença apenas recentemente, na década de 1980. Não existem estudos que comprovem as causas dessa doença, mas há algumas possibilidades. Uma delas está relacionada com a história comportamental da família do indivíduo. “É muito comum encontrar, na família dos compradores compulsivos, pessoas com problemas relacionados ao jogo, bebida e sexo”, diz a psicóloga.

Outro fator está ligado à genética. Pesquisas sugerem que pessoas que apresentam alterações numa enzima chamada Mao-a apresentam um elevado sistema de gratificação e recompensa. São pessoas sempre em busca de uma sensação de gratificação mais intensa e que nunca vem. Com relação à questão subjetiva, são indivíduos mais frágeis emocionalmente, que buscam no exterior a si – ou seja, no consumo, na vestimenta e na maneira de se apresentar ao outro – forças ou elementos que mostrem e valorizem suas características.

No que se refere à questão social, Tatiana afirma que vivemos numa sociedade que supervaloriza o uso do cartão de crédito. “Temos uma cultura de uso do cartão de crédito cada vez mais difundida, principalmente em países em desenvolvimento, assim como o estímulo desenfreado ao consumo. Toda a nossa vida é pautada em cima do consumo.”

Tatiana lembra que muitas vezes as pessoas estão muito deprimidas e ansiosas e necessitam de medicação para auxiliar no processo de tratamento.

A psicóloga faz questão de ressaltar que cabe aos profissionais tratar não só as questões emocionais como também a financeira.

A doença não tem cura, mas o importante, para a psicóloga, é tentar “ressignificar” o comportamento compulsivo, mostrar outras formas de a pessoa obter recompensas e sentir-se amada. Tatiana explica que não dá para simplesmente dizer para a pessoa não comprar nunca mais. “Temos que ensiná-la a entender quando é uma compra compulsiva e quando é normal.”

Fonte: Jornal da USP, por Izabel Leão