No passado, era comum ver propagandas de televisão incentivando o consumo do cigarro. A prática era culturalmente aceita e até vista com bons olhos. No entanto, hoje já são amplamente conhecidos os malefícios provocados pela dependência em todas as esferas da vida. Por que, então, ainda há jovens começando a fumar nos dias de hoje?

O mais importante é lembrar que todos sintomas são transitórios e que os benefícios adquiridos por quem abandona o tabaco são bem mais relevantes. Por isso, Vera lança um desafio: “Todo mundo diz que parar de fumar é muito difícil. A proposta que eu faço é para que as pessoas se deem essa chance, experimentem um ou dois dias sem fumar e vejam os ganhos imediatos que ela tem. Se ela estender isso para a vida dela de uma maneira mais ampla, vai ter a noção dos benefícios que terá. Faço a sugestão de que as pessoas experimentem essa liberdade de viver sem fumar.

O cigarro tem na composição cerca de 4.700 substâncias que trazem prejuízos à saúde. A nicotina é a substância de maior destaque porque é ela que provoca uma dependência química como a de outras drogas, e acaba expondo a pessoa às outras substâncias, como monóxido de carbono e alcatrão. O alcatrão, por exemplo, que se forma no momento da combustão, tem em sua composição substâncias responsáveis por provocar vários tipos de câncer. Já o monóxido de carbono dificulta a chegada de oxigênio para os tecidos e órgãos do corpo, comprometendo a atividade normal e podendo causar doença coronariana, como infarto do miocárdio, dentre outras. Enfim, há um desdobramento de várias doenças a partir das substâncias contidas na composição do cigarro.

No sistema nervoso, temos uma área descrita como “sistema de recompensa” porque tem relação direta com nossa atenção, motivação, recompensa e prazer. A nicotina, por ser uma substância psicoativa, irá atuar nessa região estimulando a liberação de neurotransmissores, como a dopamina, responsável pela sensação de bem estar, relaxamento, o que faz com que, inicialmente, quem começa a fumar recorra ao tabaco para reproduzir essa sensação. Após a tragada do cigarro, a nicotina atinge o cérebro, e tem início a estimulação de substâncias que, com o reforço aumentado e constante, levará a um quadro de dependência química.

Os agentes nocivos encontrados no fumo comprometem a defesa do organismo e acabam por produzir aproximadamente 55 doenças relacionadas ao tabagismo, que podem diminuir, em média, até 10 anos da vida de um fumante. O tabagismo é responsável por 30% de todas as mortes por câncer, por 85% dos cânceres de pulmão, e por doenças respiratórias, infartos e acidente vascular cerebral. Importante também destacar que o tabagismo aumenta o risco de doenças não só nos fumantes ativos, como também nos fumantes passivos.

Apesar das informações que atualmente existem sobre tabagismo, várias são as motivações que ainda podem levar o jovem a fumar. A propaganda, exposição de venda de cigarros em locais que o jovem frequenta, como padarias e supermercados, é um grande risco para a saúde do jovem, pois pode estimulá-lo a experimentar o fumo. É necessário, portanto, repensar essas exposições nos pontos de venda. Outra possibilidade do jovem começar a fumar é reproduzindo comportamentos de ídolos, ou de pessoas fumantes e próximas a ele, como amigos e familiares. É dever de toda sociedade alertar o jovem de que a dependência do cigarro é uma das mais

No smoking

severas, que obriga seus usuários a consumi-lo em quantidades cada vez maiores, várias vezes ao dia, num ciclo em que, quanto mais ele fuma, mais tem vontade de fumar e mais dependente fica.

Existem profissionais capacitados para avaliar o tabagista e realizar o tratamento. Se houver indicação, serão inseridos medicamentos para ajudar a reduzir o desconforto físico e psicológico de quem para de fumar sozinho, como irritação, nervosismo e ansiedade. No tratamento, a pessoa aprende a lidar com isso e, assim, tem mais chances de deixar de fumar definitivamente.

A dificuldade inicial está muito relacionada ao fato de que há uma dependência química que foi reforçada por anos, com uso diário do cigarro em toda a rotina. A interrupção desse processo poderá trazer um desconforto inicial. O mais importante é a pessoa entender que as dificuldades são transitórias. De modo geral, nas três primeiras semanas os sintomas desconfortáveis estarão mais presentes, já que, até então, o cigarro fazia parte de todos os momentos da vida. São necessários alguns dias para a desintoxicação, para o corpo, o cérebro e a memória entenderem uma nova informação. No início vai ficar um buraco, que, com o tempo, deve ser preenchido com alguma nova rotina, como momentos de lazer, uma atividade física ou uma alimentação mais saudável.

No Brasil a venda dos cigarros eletrônicos são proibidos, mas nos EUA não há restrição nenhuma na comercialização. Há uma preocupação quanto ao fato de o cigarro eletrônico ser entendido como um recurso para tratamento, pois a literatura até o momento não confirma esse entendimento e mostra que ele não é isento de riscos à saúde. Além disso, o cigarro eletrônico pode se apresentar como um incentivo à iniciação de jovens para fumar ou ainda comprometer a abstinência de quem já deixou de fumar cigarros.

Fonte: www.blog.saude.gov.br, por Vera Borges