Nova York. Nos tumultuados anos 1920, a cidade é, para milhares de europeus, a epítome do “sonho americano”. E não é diferente para Cetta Luminita, uma italiana que, apesar de muito jovem, busca um lugar ao sol com seu filho Christmas. Numa metrópole em plena explosão, onde o rádio está nascendo e o cinema começa a falar, Christmas vai crescer entre gangues rivais, um ambiente de violência e pobreza, com sua imaginação e sua coragem como únicas armas para sobreviver.

A esperança de uma nova existência nasce quando ele encontra a jovem, bela e rica Ruth. Uma história vertiginosa e luminosa, magistralmente escrita, uma reflexão sobre a violência cometida contra as mulheres, sobre o racismo e a incomunicabilidade social, um romance sobre a infância roubada.

A gangue dos sonhos queima com um ardor violento e redentor, e transporta o leitor para um mundo onde todos lutam para preservar sua integridade. Um romance que se lê de uma só tacada, que se desenrola como um filme e no qual cada página é uma nova sequência.

Confesso que nunca tinha ouvido falar em Luca di Fulvio, provavelmente, assim como muitos por aqui. Outra confissão foi o risco de ler um livro com quase 600 páginas contando uma história que se passa nos anos 20 o que poderia se crer que era composta de puro clichês.

Porém, bastou um primeiro olhar pelos primeiros parágrafos para se tornar refém de uma epopéia moderna sobre o “sonho americano” que explodiu justamente nos anos 20, onde a América era vista com uma salvadora para muitos estrangeiros que se arriscavam à viagens longas e por vezes perigosas para tentar uma vida melhor na grande nação americana.

A escrita de Luca é majestosa e o escritor não tem medo algum de mostrar o lado perverso dela, o lado sem escrúpulos regado a muita violência e xingamentos, exatamente como o ser humano é, principalmente aquele que vê seus sonhos ruírem pela falsa promessa de que tudo será fácil e sem problemas.

Em se tratando de violência, A Gangue dos Sonhos apresenta toda a verdade sobre uma nação em construção onde ela, a violência, está sempre presente e sem nenhum filtro para o leitor ou leitora. A maior violência mostrada na trama é o estupro e suas consequências tanto para a vítima quanto para o bandido.

Todo e qualquer personagem em A Gangue dos Sonhos persegue incansavelmente esse sonho e mesmo que já o tenha conseguido, luta também, incansavelmente, para mantê-lo junto de si. Nesse retrato cruel e realista, a tal gangue do título entra em cartaz logo cedo na trama, mas é totalmente desenvolvida nas mãos de Christmas Luminita, que tem a incrível capacidade de fazer com que as pessoas acreditem em tudo aquilo que ele “não” diz [leiam e entenderão o que quero dizer].

Uma das diversas características de A Gangue dos Sonhos é a incrível preocupação que Di Fulvio teve com a construção e evolução de todos, sim, todos os personagens que fazer parte dessa incrível história que ele resolveu contar. É extremamente gratificante você saber que seus personagens, sejam bons, ruins e até inexpressivos são respeitados pelo seu criador, o que nos traz uma felicidade imensa em saber que eles não serão simplesmente esquecidos no decorrer da trama, o que acontece com muitas obras disponíveis no mundo da literatura.

Um dos grandes trunfos de A Gangue dos Sonhos foi a grande destreza do autor em apresentar uma história inebriante e fazer com que nós, leitores, nos apaixonássemos por todo o elenco da trama. Digo que quem se “atrever” a conhecer os atores dessa “peça” vai amar ver seus percalços, seus erros e seus acertos. Vai amar os bons e, principalmente, vai se pegar amando odiar os maus e também aqueles que nem são tão maus assim.

Luca Di Fulvo, realmente, foi uma grande surpresa do ano e com absoluta certeza um dos melhores livros que já li na minha vida de leitor. A Gangue dos Sonhos muito me lembrou o formato das histórias contadas por Jeffrey Archer, como em “O Voo do Corvo” e de Sergio Leone, principalmente em “Era Uma Vez na América”, o que por si só já valeria todo e qualquer investimento na leitura deste grande e excepcional épico.

Mais uma vez a editora Vestígio do Grupo Pensamento, acerta em cheio na escolha de seus títulos e também no tratamento dado a eles. A Gangue dos Sonhos vem no formato brochura com uma capa muito bonita e totalmente imersa na história, papel amarelado, fonte agradável e com uma revisão impecável.

Não se espantem se esse grande épico for adaptado para as telonas, pois A Gangue dos Sonhos, além de tudo, ainda tem um grande viés cinematográfico e fico, realmente, na expectativa de que possa virar ou um grande filme ou uma grande série limitada. Então não percam mais tempo e se aventurem nessa grande história que é realmente, I-M-P-E-R-D-Í-V-E-L.

Jeffa Koontz
Crítico Literário
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