Moro em Nova York há seis anos, e após oito meses de pandemia no mundo e 80% da cidade de Nova York fechada e a sorte de conseguir trabalhar de casa, surgiu a oportunidade de me mudar para o Havaí por alguns meses. Levando em consideração que o Havaí é o estado americano com menos casos de coronavírus além de conhecido como o paraíso na terra eu pensei, por que não? 

 

Há quase três semanas atrás entrei no avião de Nova York em direção ao Havaí (vôo doméstico) sem data para voltar. Porém, em tempos de quarentena nem tudo são flores – Literalmente, porque devido a pandemia não tem mais a famosa recepção com colar de flores no aeroporto. Ao invés disso, você tem que entrar numa fila para se apresentar para autoridades do Havaí.

Cheguei há mais de duas semanas, tive que ficar 15 dias em casa, mesmo tendo feito o teste e o resultado ter sido negativo, o governo do Havaí me fez ficar em quarentena sob intensa vigilância do governo. Eles não estão aceitando mais testes, todo mundo que chega é obrigado a ficar 15 dias em casa. A multa para quem sair da quarenta é de $5 mil e até 1 ano de prisão. Lembrando que nos EUA cada estado tem uma lei diferente e que o Havaí é o que tem mais restrições. 

No aeroporto me pediram meu telefone, e-mail e o endereço da casa onde ia ficar e ligaram para casa para falar com a pessoa que me alugou. Todos os dias de manhã recebia por email e por mensagem no celular um questionário do governo do Havaí para confirmar que estava cumprindo a lei. 

Três dias depois da minha chegada eles mandaram um oficial da justiça de surpresa na minha casa para checar se eu estava cumprindo a quarentena. Atendi a porta, ele pediu minha identidade e fizeram perguntas de rotina. Foram bem simpáticos na verdade, e eu particularmente acho que eles estão certos de fazerem isso, pois o Havaí se mantém o estado com menos casos do vírus nos Estados Unidos.  

Como vim morar temporariamente e não tenho data marcada para voltar, não me incomodei em ficar 15 dias em casa. Mas, se você tem planos de vir como turista, definitivamente não é uma boa hora. O Havaí é um dos estados mais caros do mundo, mais caro até que Nova York, então não vale a pena ficar 15 dias pagando hotel ou Airbnb sem poder sair. Detalhe: se você estiver fazendo quarentena no hotel não pode sair do quarto.

Sem falar que é uma tortura chegar no paraíso e não poder nem dar uma volta na rua. A casa que estou tem jardim de frente para as montanhas e eu passei 15 dias no jardim olhando para as montanhas e sonhando com a liberdade. 

Junto a isso, várias atividades turísticas continuam fechadas, como, por exemplo, a famosa cratera  Diamond Head, o Paradise Cove Luau, snorkeling entre outros. Para se informar basta entrar no site do governo portal.ehawaii.gov

No entanto, verdade seja dita – esqueci toda essa tortura assim que fui liberada. O espírito Aloha, que diz que  é “o sopro de vida e amor que compartilhamos uns com os outros” existe e pode ser sentido assim que você chega na ilha. E as fotos não fazem juz  a mistura perfeita da natureza selvagem, com florestas, cachoeiras e praias desertas. Lá, o melhor dos dois mundos coexistem em harmonia. E em apenas três dias de liberdade, eu já me apaixonei.

A ilha que escolhi para ser minha casa temporária se chama Oahu, onde a temperatura média anual é de 27º C, uma região subtropical com solo pesado com cinzas vulcânicas e lar de uma infinidade de plantas e animais incríveis, desde baleias jubarte gigantes e tartarugas marinhas pintadas até flores de maracujá, maçãs da montanha, abacaxi e o nosso famoso mamão papaya!

VIVIANE FAVER
Jornalista
vfaver@gmail.com

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VIVIANE FAVER
- Jornalista radicada em NYC. Estagiou e trabalhou no Jornal do Commercio por 10 anos na editoria de economia. Mudou-se para NY em 2014, onde começou a colaborar para o jornal The Brasilians, o Extra, O Dia, CNN Style (Londres), New York Beacon, entre outros. Também trabalha com documentários, o mais recente foi o 'Queen of Lapa', que ganhou o prêmio no festival LGBT, NewFest, em NYC, em 2019. - Brazilian journalist based in NYC. Started out as an intern, then worked at Jornal do Commercio in Brazil, where she spent 10 years writing for the economic editorial. She moved to NY in 2014, and started collaborating for The Brasilians, Extra, O Dia, CNN Style (London), New York Beacon, among others. Also working with documentaries, the most recent was the 'Queen of Lapa', which won the award at the LGBT festival, NewFest, in NYC, in 2019.