O filme é uma reflexão hipnótica sobre a experiência indígena contemporânea e a urbanização na Amazônia brasileira. A estreia foi realizada no dia 19 de Março no Film at Lincoln Center, NYC.

Ganhador do prêmio de Melhor Direção no Chicago International Film Festival, de Melhor Ator, no International Critics, e o Special Jury Awards, no Locarno International FIlm Festival, e a seleção oficial no New Director/New Films, Mar del Plata, TIFF, Rotterdam, Pingyao, e Thessaloniki, entre outros, A Febre é um retrato hipnotizante do profunda e sutil confronto entre formas de vida indígenas e as pressões da urbanização ocidental em Manaus, uma cidade industrial rodeada pela floresta amazônica.

A história doi filme é sobre Justino, um membro de 45 anos do povo indígena Desana que trabalha como guarda de segurança no porto de Manaus. Desde a morte de sua esposa, sua principal companhia é sua filha mais nova com quem vive na periferia da cidade. Uma enfermeira na clínica local, Vanessa é aceita para estudar medicina em Brasília, e planeja partir em breve. Com o passar dos dias, Justino é tomado por uma febre forte. Durante o dia, ele luta para se manter acordado no trabalho. Durante a noite, uma criatura misteriosa segue seus passos. Enquanto isso, a visita de seu irmão o faz lembrar da vida que ele deixou nas profundidades da floresta vinte anos atrás. Entre a opressão da cidade e a distância de sua vila nativa, Justino não consegue mais aguentar a sua existência sem um sentimento de pertencimento.

Uma interrogação empática sobre a relação entre culturas indígenas e a civilização ocidental, A Febre da Maya Da-Rin é uma acusação poderosa da natureza do progresso em um momento em que mais e mais as comunidades indígenas se deparam com devastações territoriais e patogênicas trazidas pelo desmatamento em massa e pela crise na saúde causada pelo COVID-19.

Maya Da-Rin é cineasta e artista visual. Ela é formada pela Le Fresnoy – Studio National des Arts Contemporains na França, tem um mestrado em Cinema and Art History pela Sorbonne Nouvelle, e já participou de workshops na Cuban School of Cinema. Seu trabalho já foi exibido em festivais de cinema e instituições de arte pelo mundo todo, incluindo Toronto, DokLeipzig, MoMA e a Vilnius Contemporary Arte Centre. Seu documentário Terras (2010) foi exibido em mais de quarenta festivais, e seu primeiro longa, A Febre, foi selecionado para a residência Cinéfondation do festival de cinema de Cannes e para os laboratórios La Fabrique des Cinémas du Monde e Torino Film-Lab, entre outros. Com estreia no Locarno Film Festival, A Febre recebeu o prêmio de Melhor Ator em Locarno, o FIPRESCI Prize de Melhor Filme, e também o prêmio “Ambiente é qualidade de vida.”