Um dos grandes desafios e paradoxos ostensivos é reconciliar entre o individual e o coletivo, entre interesses pessoais e o bem comum. Podemos encontrar uma maneira de preservar nossa diversidade enquanto estamos unidos sem sermos comprometidos?

A maneira de atingir esse equilíbrio é por meio da humildade. Quando você se sublima para um chamado superior, sua individualidade une, em vez de separar, você com outros servindo a uma causa maior. Seu poderoso compromisso permeia seu ser ao ponto de despertar o interesse próprio, não permitindo que se afaste dos outros. Pelo contrário, ajuda a construir uma comunidade unificada – diversa mas unida por uma causa maior e que transcende interesses individuais. Porém, é preciso esforço de sua parte como indivíduo para encontrar essa harmonia na diversidade. Aqui está por que o esforço vale a pena.

Beleza na Diversidade

Tão bonita como uma cor – digamos, azul – pode ser, ela ainda não seria definida como bonita. Por mais doce que uma nota musical possa soar, não pode ser cha-mada de bonita. Beleza é sempre uma combinação de muitas cores – como numa pintura – cujo equilíbrio e coordenação cria um lindo mosaico. Muitas notas musicais diferentes, quando tocadas da maneira certa, geram uma bela sinfonia.

Veja a natureza. A beleza da natureza está no fato de que muitos sistemas diferentes trabalham juntos com sincronia surpreendente. Talvez nenhum exemplo melhor ou mais próximo disso seja nós mesmos. O corpo humano saudável é uma obra milagrosa da arquitetura. Tantos membros e órgãos diferentes, numerosos sistemas e faculdades. Sem falar na enorme quantidade de células, hormônios, substâncias químicas e DNA. E tudo combinado como uma unidade fascinante, funcionando como um todo sincronizado. Algo que nos impressiona (até subjetivamente) tão belo é o equilíbrio e

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simetria de vários – ou muitos – elementos diferentes, todos combinados na medida e composição exata.

Humildade na Diversidade

Somos todos um: juntos formamos um único organismo cujas várias células, membros e órgãos se complementam e completam uns aos outros. Um corpo inclui tanto o cérebro sofisticado e refinado e o pé “grosseiro” funcional; mas em última análise, o cérebro é dependente do pé assim como o pé depende do cérebro. O pé é dependente do cérebro, pois sua vitalidade depende do cérebro. Se o pé é dependente do cérebro por sua vitalidade e direção, o cérebro é dependente do pé para realizar muitas de suas metas.

O homem humilde olha para o quadro mais amplo em vez dos detalhes, para o propósito unificado da vida na terra e não apenas para a sua função dentro desse propósito. Não importa quão elevado possa ser seu próprio papel em relação ao de seus companheiros, ele é extremamente limitado sem ele. O conhecimento de que o trabalho de sua própria vida é incompleto sem a contribuição de seu parceiro desperta sentimentos de humildade para com ele. E reconhece que cada “membro” do corpo mútuo é indispensável, cada componente completa e aumenta seu interesse.

Definindo Humildade

Nessa abordagem, a humildade não é equiparada a um sentimento de inferioridade. Mas sim, decorre de um sentimento de igualdade e necessidade mútua. Ao se tornar humilde, você primeiro percebe que não deve se sentir superior sobre suas qualidades e pontos fortes únicos: todas as virtudes com as quais você foi abençoado – seja uma medida maior de inteligência, refinamento, ou sensibilidade espiritual – são apenas as ferramentas que lhe foram concedidas para você cumprir sua missão na vida. Você reconhece que suas próprias realizações exigem a colaboração de outras pessoas. Seja humilde pelo fato de que todo indivíduo na terra tem um papel único e insubstituível a desempenhar, e que cada um é tanto necessário como necessita dos outros.

Comece procurando harmonia na diversidade. Qual é a sua parte nela? Com qual beleza você está contribuindo para a sinfonia comunitária? Faça a diferença fazendo algo especial.

Fonte: pt.chabad.org, por Simon Jacobson