O CASO ORELHA
A morte do cachorro Orelha ganhou espaço nas redes sociais e conhecimento internacional ao ser noticiada no início do mês de Janeiro de 2026. No dia 5 um cão comunitário da Praia Brava em Florianópolis chegou em uma clínica veterinária machucado e agonizando. De pauladas no corpo a cortes profundos, o cachorro de 10 anos precisou sofrer eutanásia (quando se interrompe a vida de forma intecional a fim de aliviar um grande sofrimento) devido à gravidade das lesões.
A Polícia de Santa Catarina identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de tê-lo agredido de forma violenta com intuito de causar sua morte. Dois deles viajaram de férias para os Estados Unidos na semana seguinte do acontecimento, mas voltaram antes do planejado e tiveram seus celulares e computadores abatidos assim que pousaram no Brasil. Após 1 mês de investigações, o caso foi encerrado dia 3 de Fevereiro e somente 1 adoslecente foi
declarado responsável pelo crime. A polícia exigiu sua a internação provisória.
A repercussão se tornou internacional. O caso chegou ao conhecimento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Atores, como Paul Wesley, e outros estrangeiros ficaram sabendo do caso e compartilharam posts com a #JustiçaPorOrelha.
ORELHA NÃO É O ÚNICO, É MAIS UM EXEMPLO
Se Orelha chocou o país, ele representa apenas a ponta do iceberg da violência que segue invisível para grande parte dos brasileiros. Dados oficiais da Jovem Pan mostram que os registros de maus-tratos a animais no Brasil não são casos isolados.
Relatórios do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que o número de processos por esse tipo de crime saltou de 328 em 2021 para 4.919 em 2025, crescendo cerca de 1.400% em quatro anos, equivalente a uma média de 13 crimes por dia contra animais no ano passado.
A normalização da violência contra animais, especialmente cães de rua ou comunitários como Orelha, muitas vezes está relacionada à falta de políticas públicas robustas para proteção animal, educação sobre posse responsável e avaliação da estrutura adequada de acolhimento para animais abandonados.
A VIOLÊNCIA QUE A LEI NÃO IMPEDE
A punição efetiva dos agressores, porém, segue sendo um desafio estrutural. A Lei sancionada em 2020 aumentou a pena para crimes cometidos contra cães e gatos: agora, quem maltratar, ferir, mutilar ou abusar desses animais pode ser condenado de dois a cinco anos de cadeia, além de multa e proibição de guarda do animal.
No entanto, a simples existência da lei não garante sua aplicação rigorosa. Especialistas, ativistas e parte da sociedade civil afirmam que, embora a pena tenha sido ampliada, a maioria dos casos nem chega aos tribunais, ou termina com punições brandas, como multas e serviços comunitários, em vez de prisão efetiva.
Mudar essa realidade exige mais do que leis no papel: é preciso transformar atitudes, fortalecer investigações e propagar cada vez mais acontecimentos como esse. Uma nação resolvida é uma nação informada. Cada Orelha que sofre e cada caso que passa despercebido exige de nós uma pergunta simples: que sociedade queremos ser quando a violência contra os mais frágeis ainda pode ser ignorada?
EDUARDA DE NADAI GENERATO
Jornalista
