A Academia Brasileira de Ciências (ABC) lança nesta quinta-feira (14 de agosto) o relatório Microplásticos: um problema complexo e urgente. O documento analisa os efeitos do descarte inadequado de plástico e propõe estratégias para combater os minúsculos fragmentos que contaminam o meio ambiente, especialmente rios e oceanos.
De acordo com o levantamento bibliográfico, o Brasil é responsável por até 190 mil toneladas do volume total de lixo no ambiente marinho todos os anos. A produção estimada de plástico no mundo é de 400 milhões de toneladas por ano, das quais menos de 10% são recicladas.
Cerca de 80% dos resíduos plásticos do mundo que chegam ao mar são provenientes de atividades em terra – como turismo, indústria, ocupação urbana desordenada e má gestão de resíduos sólidos. Os outros 20% são provenientes de atividades realizadas no mar – como transporte marítimo e pesca.
“Combater a poluição por microplásticos exige uma ação coordenada entre o governo, o setor produtivo, a comunidade científica e a sociedade. Precisamos rever as estratégias nacionais e investir em educação, inovação e regulamentação para proteger a saúde humana e os ecossistemas”, disse Helena Nader, presidente da academia.
Ao chegar ao oceano, os resíduos são dispersos pelas marés, correntes e ventos, trazendo uma série de impactos ambientais, sociais e econômicos. Podem ser ingeridos por animais marinhos e outros seres vivos da cadeia alimentar marinha.
Os microplásticos também são encontrados em órgãos do corpo humano, o que representa riscos à saúde. Estudos encontraram microplásticos em placentas e cordões umbilicais de gestantes.
“Não podemos mais tratar os plásticos como descartáveis. É hora de assumir a responsabilidade por todo o ciclo desses materiais, da produção ao descarte e à reciclagem”, disse Adalberto Luis Val, vice-presidente da academia para a Região Norte do Brasil e coordenador do grupo de trabalho sobre microplásticos.
Estratégias
Para reduzir o impacto desse tipo de poluição, os pesquisadores propuseram seis abordagens:
• Governança – revisar o Plano Nacional de Combate ao Lixo Marinho de 2019, fortalecendo o combate aos microplásticos; e fortalecer a discussão e a implementação do tratado sobre poluição ambiental por plásticos.
• Ciência, tecnologia e inovação – ampliar os investimentos em reciclagem no Brasil; reutilizar produtos plásticos; e substituir polímeros sintéticos por polímeros biodegradáveis em produtos descartáveis.
• Fomento e financiamento – criar mecanismos de avaliação de risco à saúde e outras iniciativas para mitigar os efeitos da poluição por plástico, como o uso da nanotecnologia para impulsionar o reuso.
• Capacitação – capacitar catadores, formalizar seu trabalho e capacitar professores do ensino fundamental e médio.
• Ciclo do Plástico – buscar mudanças na legislação sobre o descarte e a coleta adequados de materiais plásticos.
• Educação e comunicação ambiental – elaborar uma política governamental de incentivo à educação ambiental, especialmente para operários e empresários, bem como para o agronegócio; e criar uma campanha sobre descarte e reciclagem de plásticos.
Fonte: Agência Brasil
