BACC TRAVEL

Brincar é um direito humano garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Convenção sobre os Direitos da Comemorado no dia 28 de maio, o Dia Mundial do Brincar estimulou atividades por todo país e mais uma vez provocou reflexões sobre a importância das brincadeiras para o desenvolvimento humano, especialmente o das crianças.

A pesquisadora e professora universitária especialista no tema Sarah Menezes Rocha é mãe de uma bebê de 1 ano, formadora de docentes e conselheira da Aliança pela Infância, um movimento internacional em defesa da infância e que há duas décadas celebra a data no Brasil.

Em manifesto sobre a importância do brincar publicado nas redes sociais na última semana, a Aliança disse que esta é a principal forma de a criança “existir, se expressar, elaborar sentimentos e compreender o mundo”.

A entidade alertou para a importância de reservar tempo para as brincadeiras, em um mundo cada vez mais atravessado por telas.

“É no brincar livre que crianças se desenvolvem, criam vínculos e se encontram com o outro, desenvolvendo a sua humanidade”, diz o texto da organização. “Brincar é a maneira da criança participar da sociedade, é expressão cidadã e democrática”.

O brincar é a linguagem da própria infância. É a forma como a criança se relaciona com o mundo, com o outro e consigo mesma. Quando a criança está brincando, ela não está apenas passando o tempo, se distraindo, ela está experimentando o mundo ao seu redor, imaginando, ela está ali tendo a oportunidade de criar hipóteses, de sentir diferentes emoções, construir vínculos e também traduzir a cultura.

O brincar é esse espaço privilegiado de construção do ser humano. Através da brincadeira, a criança aprende a negociar, a esperar, a lidar com diferentes situações e conflitos. O brincar é a centelha da formação humana.

O brincar nasce da infância, mas as pessoas carregam ele na vida para sempre. Cabe aos adultos ter essa sensibilidade de poder acessar essa infância dentro deles mesmos. A criança que esse adulto foi um dia está sempre com ele.

As pessoas vivem uma antecipação da lógica produtivista na infância, querendo que as crianças também sejam “seres produtores”. Até mesmo crianças bem pequenas, muitas já estão convivendo com excesso de atividades dirigidas, de metas, de estímulos. Em contrapartida, têm pouco tempo para uma experiência livre.

Todo mundo pode garantir tempos menos acelerados para as crianças dentro do contexto familiar e escolar. Pode-se valorizar as experiências que as crianças têm ao ar livre; ocupar espaços seguros na cidade, praças, parques; cobrar das autoridades esses espaços com segurança; pode-se promover brincadeiras coletivas em casa, no condomínio, além de incluir as crianças sempre.

É preciso ampliar o espaço de escuta, porque as crianças precisam ser ouvidas. Elas sabem dizer como que a gente pode abrir espaço para o brincar de forma livre. O desenvolvimento humano, de forma saudável, ocorre quando as pessoas oportunizam os espaços para que a criança seja criança.

A Aliança pela Infância organizou em seu site, www.aliancapelainfancia.org.br, uma agenda nacional com atividades em escolas, coletivos, organizações e comunidades por todo o país, como um chamado para que a sociedade se engaje na defesa deste direito.

Fonte: Agência Brasil

Deixe um comentário

The Brasilians