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Lula quer ação conjunta com EUA para sufocar finanças do crime organizado

Presidente afirma que Brasil e Estados Unidos avançaram em diálogo sobre segurança, comércio e soberania após reunião com Trump em Washington.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (8) que o combate ao crime organizado foi um dos principais temas debatidos durante sua reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington. Em publicação nas redes sociais e em declarações à imprensa após o encontro, Lula defendeu uma cooperação internacional mais ampla no enfrentamento ao tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.

Segundo Lula, o Brasil está disposto a ampliar a colaboração com os Estados Unidos na área de segurança pública, destacando a experiência acumulada pela Polícia Federal no combate às organizações criminosas. “Temos uma extraordinária Polícia Federal e muita experiência no combate ao tráfico de drogas e de armas. Nossas aduanas já estão cooperando neste sentido”, escreveu o presidente no X (antigo Twitter).

O chefe de Estado brasileiro também afirmou que o governo federal criou, em Manaus, uma base integrada com representantes das polícias de países sul-americanos para reforçar o combate ao crime organizado nas fronteiras. Lula disse que os Estados Unidos poderão participar da iniciativa. “Se os Estados Unidos quiserem participar conosco, estarão convidados”, declarou.

Relação bilateral e cooperação internacional

Após o encontro com Trump, Lula avaliou que Brasil e Estados Unidos deram “um passo importante” na reconstrução da relação bilateral. Em conversa com jornalistas na embaixada brasileira em Washington, o presidente afirmou ter saído satisfeito da reunião e ressaltou o papel das duas maiores democracias do continente.

“Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos”, afirmou.

Lula também destacou que uma relação mais próxima entre Brasília e Washington pode servir de exemplo internacional. “A boa relação entre Brasil e Estados Unidos é uma demonstração ao mundo de que as duas maiores democracias do continente podem efetivamente servir de exemplo para o mundo”, disse.

Combate às facções e lavagem de dinheiro

O presidente brasileiro afirmou que o enfrentamento ao crime organizado não pode se limitar apenas à repressão policial. Segundo ele, é necessário atacar as estruturas financeiras das facções criminosas e oferecer alternativas econômicas para regiões dependentes da produção de drogas.

“Também precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções. Esta é outra frente de trabalho importante que estamos atuando, e que estamos dispostos a colaborar”, escreveu Lula nas redes sociais.

Durante a entrevista em Washington, o presidente voltou a defender a criação de um grupo internacional de trabalho para combater organizações criminosas, reunindo países da América do Sul, da América Latina e outras nações interessadas. Para Lula, o enfrentamento ao narcotráfico precisa ocorrer de forma coordenada e sem imposições unilaterais.

“Não é hegemonia de um país ou de outro que ele é combater o crime organizado. É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos”, afirmou.

Lula também mencionou a circulação de armas oriundas dos Estados Unidos e a existência de esquemas de lavagem de dinheiro em território norte-americano. “Se a gente souber isso e colocar a verdade em torno da mesa e criar um grupo de trabalho para trabalharmos juntos, a gente pode resolver em anos aquilo que não se resolveu em séculos”, declarou.

Tarifas, comércio e multilateralismo

Além da pauta de segurança, o encontro entre Lula e Trump abordou temas comerciais e disputas tarifárias. O presidente brasileiro afirmou ter apresentado dados mostrando que os Estados Unidos acumulam superávit comercial na relação bilateral com o Brasil nos últimos 15 anos.

Segundo Lula, o Brasil registrou déficit de US$ 14 bilhões na balança comercial com os norte-americanos apenas no último ano. O presidente também rebateu críticas sobre supostas tarifas elevadas cobradas pelo Brasil sobre produtos dos EUA.

“Nós temos a média do imposto que nós cobramos de vocês é 2,7%. Apenas 2,7%”, afirmou.

Lula ainda disse ter sugerido a criação de um grupo de trabalho bilateral para discutir comércio e tarifas, com prazo de 30 dias para a apresentação de propostas. “Quem tiver errado vai ceder. Se alguém tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”, declarou.

Minerais críticos e soberania nacional

Outro assunto tratado na reunião foi a exploração de minerais críticos e terras raras. Lula afirmou ter informado Trump sobre a aprovação, na Câmara dos Deputados, de uma proposta para criação de um conselho ligado à Presidência da República voltado ao setor mineral.

O presidente ressaltou que o Brasil pretende tratar os minerais estratégicos como tema de soberania nacional e ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral do território brasileiro.

“Nós não temos preferência. O que nós queremos é fazer parceria, compartilhar com as empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas, francesas, quem quiser participar conosco”, afirmou.

Lula disse que o Brasil busca atrair investimentos para mineração, processamento e industrialização de minerais estratégicos, mas enfatizou que o país não abrirá mão de sua autonomia política.

“A única coisa que nós não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, declarou.

Conversa descontraída sobre a Copa do Mundo

Ao comentar o clima da reunião, Lula relatou ainda um momento descontraído durante conversa com Trump sobre futebol e a Copa do Mundo. Segundo o presidente brasileiro, ele brincou com o mandatário norte-americano sobre a participação da seleção brasileira no torneio.

“Eu espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros para a seleção. Por favor, não faça isso, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo”, contou Lula.

De acordo com o presidente, Trump reagiu com risos à provocação, encerrando o encontro em clima amistoso. Lula voltou a classificar a reunião como positiva para os dois países e afirmou que o diálogo abriu caminho para novas iniciativas conjuntas nas áreas de comércio, segurança e investimentos.

Fonte: brasil247.com

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