O sobrepeso entre os brasileiros aumentou 20 pontos percentuais em 18 anos. Em 2024, 62,6% da população apresentavam sobrepeso, em comparação com 42,6% em 2006. A obesidade (índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m²) dobrou, passando de 11,8% para 25,7% da população.
Os dados foram divulgados esta semana pelo Ministério da Saúde e são provenientes de uma pesquisa telefônica realizada em todas as capitais estaduais e no Distrito Federal.
A prática de atividade física no deslocamento para o trabalho diminuiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024, devido ao maior uso de aplicativos de transporte e transporte público. A prática de atividade física moderada no tempo livre, de pelo menos 150 minutos por semana, no entanto, cresceu de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024.
O consumo regular de frutas e verduras (cinco dias por semana ou mais) permaneceu relativamente estável, variando de 33% em 2008 para 31,4% em 2024.
O consumo de refrigerantes e sucos artificiais (cinco dias por semana ou mais) caiu de 30,9% em 2007 para 16,2% em 2024.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acredita que os avanços positivos, como a redução do consumo de refrigerantes e o aumento da atividade física, não foram suficientes para reduzir a incidência de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e obesidade.
“Com o envelhecimento da população brasileira, mais pessoas estão desenvolvendo doenças crônicas. Por isso, precisamos de mais políticas de cuidado e prevenção”, destacou.
Insônia
Pela primeira vez, a pesquisa analisou os padrões de sono da população brasileira – 20,2% dos adultos nas capitais disseram dormir menos de seis horas por noite, e 31,7% dos adultos apresentam pelo menos um sintoma de insônia, com maior prevalência entre as mulheres (36,2%) do que entre os homens (26,2%). Segundo Padilha, esses dados mostram que o sono tem sido insuficiente e interrompido durante a noite.
“Isso é preocupante, pois a má qualidade do sono está diretamente relacionada ao ganho de peso, obesidade, agravamento de doenças crônicas e problemas de saúde mental. Esses dados nacionais são relevantes e vamos solicitar às equipes de atenção primária que investiguem a qualidade do sono dos pacientes”, afirmou.
Iniciativa do governo
Em uma cerimônia na Zona Sul do Rio de Janeiro, o ministro Padilha lançou a iniciativa Viva Mais Brasil, uma campanha nacional para promover a saúde, prevenir doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida dos brasileiros.
Segundo o ministério, serão investidos R$ 340 milhões em políticas de incentivo à prática de exercícios físicos.
A nova estratégia articula e fortalece as políticas já existentes do Sistema Único de Saúde (SUS), com medidas focadas em alimentação saudável, atividade física, atenção integral e acesso à informação de qualidade.
O plano busca incentivar e apoiar os brasileiros a adotarem estilos de vida saudáveis, com ações em unidades do SUS e também no setor privado, ampliando o alcance das políticas de promoção da saúde.
A campanha inclui dez compromissos para viver mais e melhor:
• mais exercícios e um estilo de vida ativo;
• hábitos alimentares mais saudáveis;
• menor consumo de tabaco e álcool;
• mais saúde nas escolas;
• menos doenças crônicas;
• mais vacinação em todo o Brasil;
• mais autonomia e empoderamento;
• melhores serviços de saúde digital;
• uma cultura de paz e menos violência;
• e mais práticas integrativas e complementares.
Fonte: brasil247.com
