O prédio histórico onde os Beatles realizaram sua última apresentação pública está sendo transformado em um museu oficial dedicado à banda em Londres. Batizado de The Beatles at 3 Savile Row, o espaço ocupará sete andares da mansão localizada no centro da capital britânica e reunirá centenas de artefatos raros, documentos e materiais de arquivo inéditos ligados ao grupo.
A informação foi divulgada pela BBC News Brasil nesta segunda-feira (11). O imóvel, tombado como patrimônio histórico, serviu de sede para os Beatles entre 1968 e 1972 e foi o local onde o álbum Let It Be foi gravado. A previsão é que o museu seja inaugurado em 2027, e os fãs já podem se cadastrar para adquirir ingressos no site oficial da banda.
Em entrevista à BBC, Paul McCartney afirmou que sempre considerou importante criar um destino oficial dos Beatles em Londres. Segundo ele, embora milhares de turistas visitem a famosa faixa de pedestres de Abbey Road, os fãs acabam sem acesso a um espaço oficial dedicado à trajetória do grupo. “Os turistas vêm para a Inglaterra e podem ir à Abbey Road, mas não podem entrar [e] isso atrapalha o trânsito e os motoristas ficam muito irritados”, disse. “Então achei que essa era uma ideia fantástica”, acrescentou.
Uma experiência imersiva para os fãs
O projeto prevê uma recriação do estúdio instalado no porão do edifício, onde Let It Be foi gravado. O público também poderá reviver o histórico show realizado no telhado do número 3 da Savile Row, em janeiro de 1969, considerado a última apresentação pública da banda.
Paul McCartney deu detalhes de como será a experiência dos visitantes dentro do prédio. “Bem, você entra no térreo e vê objetos de recordação e coisas do tipo. Então você sobe pelo prédio e vê várias coisas que aconteceram aqui e ali, até chegar ao topo, onde você sai no telhado e finge ser um Beatle”, afirmou.
Além das exposições, o museu também terá uma loja oficial de produtos licenciados. “Você precisa ter uma lembrança”, brincou McCartney ao comentar a iniciativa.
O lendário show no telhado
A apresentação realizada no terraço da Savile Row entrou para a história da música e quase foi cancelada. O diretor Michael Lindsay-Hogg, responsável por filmar o show, relembrou à BBC que alguns integrantes hesitaram em participar no último momento.
“George não queria fazer e Ringo começou a dizer que não via sentido nisso”, contou o cineasta. Segundo ele, foi John Lennon quem encerrou as dúvidas: “Ah, dane-se, vamos fazer isso”.
A apresentação durou 42 minutos e reuniu músicas como Don’t Let Me Down, I’ve Got A Feeling e duas versões de Get Back. A movimentação chamou atenção imediatamente e provocou tumulto nas ruas próximas, com fãs ocupando calçadas, janelas e telhados vizinhos para acompanhar o espetáculo improvisado.
Polícia encerrou apresentação histórica
O show acabou interrompido após reclamações de moradores da região, levando a polícia britânica a subir ao terraço para encerrar a apresentação. Décadas depois, as imagens foram restauradas e remasterizadas para o documentário Get Back, dirigido por Peter Jackson.
Uma placa azul instalada no número 3 da Savile Row hoje marca oficialmente o local da apresentação histórica. O edifício, porém, possui uma trajetória muito mais antiga e já abrigou outras figuras importantes antes da chegada dos Beatles.
Entre os antigos moradores do prédio estiveram o general Robert Ross, conhecido por comandar o incêndio da Casa Branca em 1814, e Lady Hamilton, célebre amante do almirante Horatio Nelson.
O retorno à Savile Row
Mesmo após a separação oficial do grupo, em 1970, os Beatles continuaram utilizando o prédio como sede da Apple Corps, empresa criada pela banda. George Harrison chegou a homenagear os fãs que se reuniam em frente ao imóvel na música Apple Scruffs, lançada em seu álbum solo All Things Must Pass.
O prédio foi vendido em 1976 e posteriormente ocupado por uma loja da rede Abercrombie & Fitch. Segundo Paul McCartney, a ideia de recuperar o espaço partiu de Tom Greene, que assumiu a presidência da Apple Corps em 2025 após trabalhar na franquia Harry Potter.
“Ele é uma pessoa muito dinâmica e está trazendo muita energia para analisar o que os Beatles representam e o que as pessoas esperam de nós hoje em dia”, afirmou McCartney. Em comunicado, Ringo Starr também comentou a experiência de retornar ao local. Segundo ele, revisitar a propriedade foi “como voltar para casa”.
“Uma viagem incrível”
Paul McCartney descreveu o retorno ao edifício como uma experiência carregada de emoção. “Há tantas memórias especiais entre essas paredes, sem mencionar o terraço. A equipe elaborou planos realmente impressionantes e estou ansioso para que as pessoas vejam tudo quando estiver pronto”, declarou.
Embora Liverpool já concentre atrações ligadas à história da banda, como o Museu dos Beatles de Liverpool e o Beatles Story, nenhum dos espaços possui licença oficial do grupo. A cidade também oferece visitas a locais históricos relacionados aos integrantes, como a casa de infância de Paul McCartney, o centro Strawberry Fields e a residência onde George Harrison nasceu.
O turismo ligado aos Beatles continua movimentando milhares de visitantes todos os anos no Reino Unido. Na semana passada, autoridades locais chegaram a implantar um código de conduta para turistas e guias em Liverpool, com o objetivo de minimizar impactos aos moradores das áreas históricas.
Beatles seguem ativos na música
Mesmo décadas após o fim da banda, Paul McCartney e Ringo Starr seguem lançando novos trabalhos. O 22º álbum de Ringo, Long Long Road, foi lançado recentemente e alcançou a segunda posição nas paradas britânicas de música country.
Já Paul McCartney prepara o lançamento de The Boys of Dungeon Lane, previsto para o fim de maio. O disco traz composições de tom mais reflexivo, abordando lembranças da infância do músico em Liverpool e os primeiros anos da trajetória dos Beatles.
Fonte: Brasil247.com
