Imigrar, largar o seu país, sua pátria para trás é um ato de inconformismo, coragem e muita bravura.
Qualquer adjetivo que se coloque na nossa condição de imigrante não consegue com clareza definir o que somos, o que fomos e o queremos deixando o Brasil à procura de um oásis para as nossas significativas esperanças.
Muitos nem sabem o por que de sua aventura.
Alguns, outros tantos justificam que “ganhar dólares” e melhorar a situação dos que padecem no Brasil, como filhos, família, amores e motivos diversos que foram ficando para trás é a sua razão maior.
E as vezes, nem acaba sendo.
Na chegada, no aporte de qualquer jeito, o choque cultural, a princípio assusta.
O encontro dos muros imaginários e os limites do novo lugar nunca estiveram tão presentes nos sonhos de imigrantes brasileiros, como é o nosso caso.
Mas se faz necessário conhecer as diferenças e encontrar força para entre emigrar e imigrar como ponto de partida.
Porem, a diferença entre emigrar significa sair do seu país de origem e imigrar significa entrar e se estabelecer em um novo país numa clara e objetiva diferença.
Neste vai e vem de coisas vamos deixando para trás, as conquistas, mesmo poucas que tivemos em busca de outras tantas que imaginamos que existam logo ali, além do horizonte e que um dia virão, como ficar rico, independentes e poderosos.
Idealistas e crédulos que somos, mesmo cegos em busca de nossas conquistas aquilo tudo passa a representar sonhos maiores e melhores que acalentamos como uma verdade absoluta.
Ao pisarmos em solos outros que não são os nossos imaginamos liberdade e abundância como desfrutam os nativos.
Queremos ser como eles ou um deles.
O cantor e compositor Caetano Veloso em uma de suas canções, “Lindo e maravilhoso”, com precisão absoluta fala de um presságio, sinal de indícios e intuições e crenças de vitória daquilo que se espera… que na certa virão … hão de vir…
Aqui, serve para exemplificar uma agonia que diz;
“Atenção, tudo é perigoso, tudo é divino, maravilhoso…
É preciso estar atento e forte…”
Não temos tempo de temer a morte”…
O palavreado da letra canção acaba mostrando no pacote de bonanças que sonhamos vem junto montão de coisas que nem imaginávamos que existiam.
Ainda antes de concluir, um mea culpa feliz, a gente pode parafrasear uma citação do escritor Euclides da Cunha em sua célebre frase “O sertanejo é antes de tudo, um forte” em sua obra-prima “Os Sertões” (1902), onde descreve a força do brasileiro, além de um tudo e todos, como os nordestinos e a sua capacidade de sobreviver às adversidades e sua impressionante resistência ao incerto amanhã.
Nisto tudo mostra o imigrante extremamente resiliente, indiferente ao cansaço um homem que apresenta fatiga constante das muitas lutas, um ser que luta, um quase gigante nas sinuosas trilhas da vida afora.
Como é o nosso caso, os imigrantes do Brasil.
O imigrante é um forte em todas as circunstâncias e representa todos nós.
Se fôssemos colecionar histórias e relatos de brasileiros poderíamos copiar o exemplo do que fez o Profº. Jose Carlos Sebbe, Catedrático da USP, em seu livro “Brasil fora de si”.
Ali se descobre e descerra um véu de histórias de quase toda ordem e o desabafo muitos de brasileiros, mostrando um pouco do que é viver o Brasil fora de si.
Mostra ainda que a idade vai chegando, a velhice atenua sua presença discretamente e os seus entes queridos deixados para trás viram apenas uma referência, um algo inexplicável justificado pelas as pequenas conquistas.
Os tropeços mostram com a mais absoluta certeza de que o seu lugar é no Brasil.
No curso das coisas há relatos diferenciados mostrando que nem tudo é maravilha.
As dificuldades enfrentadas por quem trabalha diariamente, mas sente que não consegue melhorar de vida.
A frase “a gente trabalha, trabalha e não sai do lugar” rapidamente ganhou repercussão e gerando milhares de comentários de pessoas que dizem viver a mesma realidade.
Num lampejo filosófico, com uma certa propriedade, baseada em meus muitos anos de estradas, posso afirmar que “você faz o seu caminho, escolhe os atalhos e monta as suas próprias armadilhas.”
Dizer mais o quê ?
Conselhos aos que muitos que ainda acreditam na força de crença ao assumir o papel de imigrante?
Acabar com seus sonhos, seria extremamente cruel.
Deixa-los ir, soltos, sonhando, invadindo os desafios de qualquer forma enquanto se pode. É mais gentil e humano.
Por quase quarenta anos à frente da comunidade brasileira, nos EUA, um trabalho gratificante e feliz pude comprovar uma certeza, quase que absoluta de que “navegar é preciso, viver não é preciso…” (Fernando Pessoa)
O brasileiro tem a mente e o coração no Brasil.
Só o corpo se mostra presente na luta do dia-a-dia, em qualquer parte do planeta.
EDILBERTO MENDES
Jornalista
