Chad Bernhard conhece a dor do herpes-zóster por experiência própria.
O instrutor de áudio, radicado em Nova York, estava na casa dos 30 anos quando notou uma erupção cutânea no lado esquerdo do corpo e em parte do peito e das costas.
Coçava, e não demorou muito para que a coceira se transformasse em uma dor aguda e lancinante — “como se todo o lado do corpo estivesse sendo picado por vespas, continuamente”, diz ele.
O herpes-zóster é uma reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo que causa a catapora. Esse vírus permanece adormecido em nosso organismo por anos após uma infecção, oculto na raiz de um nervo.
Quando ressurge, o vírus inflama esse nervo, explica a Dra. Maria Carney, geriatra e diretora executiva do Northwell Aging Institute, em Long Island. “E então ele irrompe através da pele, provocando bolhas, coceira e sensação de queimação; pode ser algo muito, muito doloroso.”
Cerca de um terço dos americanos terá herpes-zóster em algum momento da vida, mas uma vacina pode evitar grande parte desse sofrimento. Algumas pessoas relutam em tomar a vacina contra o herpes-zóster por terem ouvido dizer que ela causa efeitos colaterais. Apenas 36% dos adultos com mais de 50 anos receberam pelo menos uma dose da vacina, de acordo com dados de 2022. O esquema vacinal exige duas doses, administradas ao longo de vários meses.
No entanto, os médicos afirmam que esta não é uma vacina que se deva deixar de tomar. A dor do herpes-zóster pode ser debilitante por dias ou semanas, e a infecção pode deixar sequelas de longa duração.
Aqui estão quatro informações importantes sobre a doença, a vacina e o tratamento.
1. O herpes-zóster pode surgir mais cedo do que você imagina
Os médicos recomendam que as pessoas recebam a vacina aos 50 anos — idade em que, geralmente, os planos de saúde passam a cobri-la —, pois é nessa fase que nosso sistema imunológico começa a enfraquecer.
Contudo, muitas pessoas contraem herpes-zóster em idades bem mais jovens. Bernhard, que teve a doença duas vezes, conta que, em ambas as ocasiões, ela se manifestou enquanto ele praticava “atividade física intensa”, participando de *century rides* — percursos ciclísticos em que os participantes pedalam 100 milhas (cerca de 160 km) em um único dia. Ele se vacinou logo após completar 50 anos. A Dra. Sheryl Clark, dermatologista na cidade de Nova York, afirma que tanto o estresse emocional quanto o físico podem provocar uma crise de herpes-zóster.
“Quando você submete seu corpo a um treinamento físico realmente intenso, isso afeta negativamente o seu sistema imunológico”, diz ela, permitindo que o vírus se instale. Traumas na pele, como um arranhão ou uma queimadura, também podem desencadear o surgimento dos sintomas naquele local específico, acrescenta ela.
O número de pessoas que contraem herpes-zóster quadruplicou entre a década de 1940 e o início dos anos 2000. Clark diz que ninguém tem certeza absoluta do motivo, mas acredita que o aumento do estresse e as mudanças na dieta dos americanos sejam parte da explicação.
“Levamos vidas tão agitadas e exigimos tanto de nós mesmos que não sobra tempo para preparar alimentos integrais” — aqueles que fortalecem nosso sistema imunológico —, diz ela.
Pesquisas recentes indicam que certas condições crônicas podem colocar pessoas mais jovens em maior risco de contrair herpes-zóster, incluindo diabetes e asma.
Para as pessoas que receberam a vacina contra a varicela (catapora) na infância — imunizante que se tornou amplamente disponível em 1995 —, o risco de desenvolver herpes-zóster parece ser menor. No entanto, como a vacina contra a varicela contém traços do vírus vivo, existe uma pequena chance de que ele se reative posteriormente e cause o herpes-zóster. “Ainda é possível que isso aconteça, mas é menos [provável]”, afirma Carney.
2. A vacina pode oferecer mais benefícios do que apenas prevenir o herpes-zóster
Pesquisas emergentes sobre a vacina sugerem mais um motivo para tomar as doses.
Em um estudo publicado em dezembro, pesquisadores descobriram que a vacina contra o herpes-zóster pode ajudar a proteger contra a demência. Outro estudo, publicado em janeiro nos *Journals of Gerontology*, demonstrou um envelhecimento biológico mais lento naqueles que haviam recebido a vacina, em comparação aos que não a tomaram.
“A vacina parece oferecer esse benefício mais amplo de, basicamente, ajudar a controlar o envelhecimento”, diz Eileen Crimmins, coautora do estudo sobre envelhecimento e professora de gerontologia na Universidade do Sul da Califórnia.
Ela analisou o processo de envelhecimento em nível molecular e descobriu, entre outras coisas, que os indivíduos vacinados apresentavam níveis menores de inflamação.
“Muitas pessoas consideram a inflamação um dos mecanismos mais fundamentais do envelhecimento”, afirma Crimmins, “entendendo que ela ocorre tanto como resposta à contração de diversas doenças quanto como fator causador dessas mesmas doenças”.
Sua pesquisa foi realizada com pessoas que haviam recebido a vacina anterior contra o herpes-zóster, a Zostavax, que foi descontinuada nos EUA em 2020. Mas ela afirma que, como a vacina atual — a Shingrix — é mais potente e eficaz contra o herpes-zóster do que sua antecessora, “é de se esperar efeitos ainda mais significativos sobre o envelhecimento subjacente”.
Embora o estudo da USC demonstre uma correlação, e não uma relação direta de causa e efeito, Crimmins está entusiasmada em aprofundar a investigação. Em um comentário publicado juntamente com o artigo de Crimmins, o Dr. Nicola Veronese, pesquisador da Universidade Saint Camillus, em Roma, escreveu que as descobertas somam-se a um crescente conjunto de pesquisas que indicam que a vacina contra o herpes-zóster pode ajudar a prevenir a demência e retardar o envelhecimento, ao mesmo tempo em que solicita mais estudos para compreender melhor por que ela pode exercer esse efeito protetor.
3. Reconheça os sintomas e busque tratamento precoce
Os médicos recomendam enfaticamente que as pessoas fiquem atentas aos sinais de alerta iniciais do herpes-zóster para que possam receber tratamento imediatamente. Uma sensação de formigamento pode ser um sintoma precoce, assim como a sensibilidade na pele, o surgimento de uma erupção cutânea ou uma dor intensa.
Há cinco anos, Alison Meadow, professora universitária em Tucson, Arizona, saiu para correr, caiu e ralou o joelho.
“Cerca de um dia depois, percebi: ‘Isso dói mais do que um simples arranhão'”, conta ela. “Tipo: ‘Nossa, isso dói de verdade’. Pensei: ‘Ah, devo ter distendido alguma coisa’. E ainda demorou mais alguns dias até que surgisse qualquer tipo de erupção na pele.”
Isso aconteceu durante a pandemia, quando as pessoas mantinham distanciamento umas das outras. Inicialmente, Meadow hesitou em realizar uma consulta médica presencial, mas acabou agendando um horário.
Sua médica diagnosticou herpes-zóster e prescreveu um medicamento antiviral, mas alertou que poderia ser tarde demais para que o remédio fosse totalmente eficaz.
“O ideal é realmente iniciar o tratamento nos primeiros dias do surto”, diz Carney. “Quanto antes você conseguir começar — assim que o nervo começar a ser ativado —, melhor será o resultado.”
4. Os sintomas do herpes-zóster podem persistir
Meadow, uma atleta que tinha 47 anos na época, conta que a dor na perna nunca desapareceu. Ela faz parte de um pequeno grupo de pessoas que contraíram herpes-zóster e desenvolveram neuralgia pós-herpética — uma dor nervosa persistente decorrente da doença. Essa condição transformou a vida dela. “Passei um bom tempo, ao longo destes últimos cinco anos, em que até mesmo levar o cachorro para passear no bairro era difícil”, diz ela. “Doía; eu ficava exausta. Quero dizer, caminhar apenas alguns quarteirões com meu cachorro, que anda bem devagar, simplesmente me deixava acabada.”
Meadow pagou do próprio bolso para ser vacinada antes de completar 50 anos, pois não suportava a ideia de ter herpes-zóster novamente. De acordo com um estudo de 2024, entre 1% e 10% das pessoas que sofrem de herpes-zóster apresentarão uma recorrência em algum momento.
O primeiro analgésico que ela experimentou, há vários anos, causou efeitos colaterais tão graves — dores de cabeça constantes e confusão mental — que ela acabou desistindo do tratamento. Mas, recentemente, ela começou a tomar um novo medicamento, e ele está funcionando. Os efeitos colaterais são toleráveis e a dor diminuiu.
“Estou dormindo melhor e sinto significativamente menos dor durante o dia”, disse ela à NPR em um e-mail. “Consegui até voltar a correr um pouquinho!”
Ela está radiante por ter encontrado um medicamento com o qual seu organismo se adaptou bem. E continua incentivando todas as pessoas que conhece, com mais de 50 anos, a se vacinarem.
Fonte: npr.org
