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Negociadores dos EUA e da China concordaram em retomar suas negociações comerciais após uma série de disputas que ameaçaram descarrilá-las, informou a mídia estatal chinesa na quarta-feira (11).

O anúncio ocorreu após dois dias de negociações na capital britânica, encerradas na noite de terça-feira (10).

As reuniões pareceram se concentrar em encontrar uma maneira de resolver disputas sobre exportações de minerais e tecnologia que abalaram a frágil trégua comercial firmada em Genebra no mês passado. Não está claro se houve algum progresso nas diferenças mais fundamentais sobre o considerável superávit comercial da China com os Estados Unidos.

O presidente Donald Trump conversou com o líder chinês Xi Jinping por telefone na semana passada para tentar acalmar os ânimos.

Li Chenggang, vice-ministro do Comércio e representante comercial internacional da China, disse que os dois lados concordaram, em princípio, com uma maneira para implementar o consenso alcançado entre os dois líderes e nas negociações em Genebra, informou a agência oficial de notícias Xinhua.

Mais detalhes, incluindo planos para uma possível próxima rodada de negociações, não estavam imediatamente disponíveis.

Li e Wang Wentao, ministro do Comércio da China, faziam parte da delegação liderada pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng. Eles se encontraram com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial, Jamieson Greer, na Lancaster House, perto do Palácio de Buckingham.

Wendy Cutler, ex-negociadora comercial dos EUA, disse que as disputas desperdiçaram 30 dos 90 dias que as duas partes têm para tentar resolvê-las.

Em Genebra, eles concordaram com a suspensão por 90 dias da maioria das tarifas de mais de 100% que haviam imposto um ao outro em uma guerra comercial crescente que gerou temores de recessão. O Banco Mundial, citando o aumento das barreiras comerciais, cortou suas projeções para o crescimento econômico dos EUA e do mundo.

“Os EUA e a China perderam um tempo valioso restaurando seus acordos de Genebra”, disse Cutler, agora vice-presidente do Asia Society Policy Institute. “Agora, restam apenas sessenta dias para tratar de questões preocupantes, incluindo práticas comerciais desleais, excesso de capacidade, transbordo e fentanil.”

Desde as negociações de Genebra, os EUA e a China têm trocado farpas sobre semicondutores avançados que alimentam a inteligência artificial, vistos para estudantes chineses em universidades americanas e minerais de terras raras vitais para montadoras e outras indústrias.

A China, maior produtora mundial de terras raras, sinalizou que pode aliviar as restrições à exportação impostas aos elementos em abril. As restrições alarmaram montadoras em todo o mundo que dependem delas. Pequim, por sua vez, quer que os EUA suspendam as restrições do acesso chinês à tecnologia usada para fabricar semicondutores avançados.

Cutler disse que seria inédito para os EUA negociar seus controles de exportação, o que ela descreveu como um problema que a China vem levantando há quase 20 anos.

“Ao fazer isso, os EUA abriram uma porta para a China insistir em adicionar controles de exportação a futuras agendas de negociação”, disse ela.

Em Washington, um tribunal federal de apelações concordou em permitir que o governo continue cobrando tarifas que Trump impôs não apenas à China, mas também a outros países ao redor do mundo, enquanto o governo recorre de uma decisão contra sua política comercial.

Trump disse anteriormente que quer “abrir a China”, o principal fabricante mundial, aos produtos americanos.

“Se não abrirmos a China, talvez não façamos nada”, disse Trump na Casa Branca.

Fonte: www.npr.org

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