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O número de vítimas fatais provocadas pelas violentas enchentes e deslizamentos de terra que atingiram a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete ultrapassou a marca de 550 mortos, segundo atualização pelas as autoridades locais, informa a agência AFP.

No Nepal, os corpos vêm sendo recuperados principalmente nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, apontados entre as áreas mais devastadas. Contudo, a maioria das vítimas fatais foi localizada no distrito de Chitwan, ponto por onde passam as águas do rio Trishuli antes de desaguarem no rio Seti Gandaki. A enxurrada atingiu em cheio o vale do rio Trishuli, em Nuwakot, ao norte da capital Katmandu, bem como o vale do Bhote Koshi, a leste da capital.

Centenas de desaparecidos e buscas no Tibete

A situação é igualmente dramática na região autônoma do Tibete. Segundo informações veiculadas pela imprensa estatal chinesa, além dos cinco óbitos confirmados na região, 558 pessoas continuam oficialmente desaparecidas após o avanço das inundações.

Imagens registradas por câmeras de vigilância no lado chinês mostram a violência do desastre: uma gigantesca parede de lama e detritos avançou sobre um edifício de vários andares, engolindo a estrutura enquanto dezenas de pessoas tentavam escapar em desespero. Ônibus e carros também foram completamente arrastados pela força da torrente.

O impacto da tromba d’água foi tão devastador que o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou o episódio como um “evento sísmico” de magnitude 5,2. Segundo as avaliações preliminares, a tragédia teria sido deflagrada pelo desmoronamento de uma grande geleira.

Turistas estrangeiros estão entre os não localizados

Passadas 24 horas da tragédia, o Escritório de Turismo do Nepal informou que as autoridades permanecem sem notícias de 823 pessoas no país, entre as quais 517 são turistas estrangeiros. Ao somar as estimativas oficiais das duas nações, calcula-se que cerca de 700 turistas estejam desaparecidos.

Dentre os estrangeiros não localizados em território nepalês, estão 178 cidadãos da Índia, 65 dos Estados Unidos, 53 da Ucrânia, 51 da Malásia, 35 da Austrália, 33 do Reino Unido, 25 do Canadá e quatro da Espanha.

Do lado chinês da fronteira, a imprensa estatal reportou que o deslizamento de lama atingiu o porto tibetano de Gyirong — um relevante entreposto de comércio internacional —, deixando 558 desaparecidos na região, entre os quais 260 estrangeiros. As nacionalidades dos afetados no lado tibetano ainda não foram divulgadas.

Devastação total e relatos de sobreviventes

Nas áreas atingidas, equipes de resgate enfrentam extrema dificuldade para avançar em meio ao amálgama de lama e destroços. Os deslizamentos soterraram completamente os andares inferiores de edifícios de múltiplos pavimentos, além de destruir estradas e a infraestrutura de energia elétrica.

O desespero tomou conta dos moradores locais. Raju Bhadel, nepalês de 56 anos, relatou ter recebido uma ligação angustiante de familiares durante as buscas: “Eles estavam chorando e disseram que toda a casa havia sido destruída. Três membros da família foram resgatados, mas seu irmão continua desaparecido”, contou. Subash Khatani, outro morador nepalês, mobilizou-se para tentar localizar um parente: “Ele está entre os desaparecidos de Rasuwa, por isso saímos para procurá-lo”, afirmou.

A dimensão da tragédia foi sintetizada por David Fisher, diretor no Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho: “Povoados inteiros e áreas de comércio foram destruídos”, alertou o dirigente.

Mobilização internacional, alertas de novas enchentes e crise climática

Em resposta à emergência, o Exército nepalês intensificou os sobrevoos na região atingida, conseguindo resgatar dezenas de sobreviventes. As autoridades emitiram ordens de evacuação imediata para os moradores de áreas próximas às margens dos rios, consideradas de altíssimo risco. Os Estados Unidos anunciaram a destinação de US$ 500 mil em ajuda emergencial.

Do lado chinês, o presidente Xi Jinping ordenou a mobilização total de equipes e recursos de resgate. “A tarefa mais urgente é fazer todo o possível para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas”, declarou Xi, conforme divulgado pela televisão estatal, que exibiu imagens de drones mostrando prédios totalmente cobertos por lama em Gyirong. O líder espiritual Dalai Lama também se manifestou, afirmando rezar pelas vítimas e apelando por “medidas de ajuda adequadas”.

Especialistas advertem que o perigo persiste. Qianggong Zhang, chefe de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), alertou para a ameaça de uma nova catástrofe: “Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio que faz fronteira entre Nepal e China, as autoridades alertam que uma segunda inundação pode ocorrer”, explicou.

A origem exata da enxurrada segue sob investigação. Antes do desastre, cientistas já haviam levantado a hipótese de que uma avalanche de gelo poderia ter atingido o rio Lhende, sobrecarregando subitamente o sistema hidrográfico do Bhote Koshi e desencadeando a onda devastadora de lama e detritos.

As chuvas de monção, habituais entre os meses de junho e setembro, costumam causar inundações no sul da Ásia. No entanto, a comunidade científica reforça que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana estão aumentando vertiginosamente a frequência e a intensidade desses eventos meteorológicos extremos em toda a região do Himalaia.

Fonte: brasil247.com

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