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Grande parte dos EUA enfrenta temperaturas diurnas perigosas e potencialmente recordistas, com um “domo de calor” estacionado sobre o Meio-Oeste e a Costa Atlântica. No entanto, as temperaturas noturnas também permanecem incomumente altas, elevando ainda mais o risco de exaustão pelo calor e insolação, especialmente para pessoas sem acesso a ar-condicionado.

“Estamos observando temperaturas que permanecem surpreendentemente altas até tarde da noite e que, em alguns casos, nunca caem abaixo de 80 ou 75 graus Fahrenheit [aprox. 27°C ou 24°C]. Isso é realmente preocupante”, afirma Ashley Ward, diretora do Heat Policy Innovation Hub (Centro de Inovação em Políticas de Calor) do Instituto Nicholas da Universidade Duke. Ward diz que as mudanças climáticas estão agravando essa tendência.

“Não temos a oportunidade de recuperação durante a noite, como víamos historicamente”, diz ela. “Nossos corpos precisam disso, é claro, mas as plantas e os animais também… e nossa infraestrutura energética. Precisamos conseguir nos refrescar durante a noite.”

Na região de Baltimore-Washington D.C. e no sudeste da Pensilvânia, incluindo Filadélfia, esperava-se que as máximas de quinta-feira ficassem entre 100 e 105 graus Fahrenheit (aprox. 38°C a 40,5°C), com índices de calor em torno de 110°F (aprox. 43°C), segundo a previsão do Serviço Nacional de Meteorologia. Espera-se que as mínimas noturnas permaneçam na faixa dos 80 graus Fahrenheit (aprox. 27°C) em muitas dessas áreas.

A previsão para sexta-feira deve ser praticamente a mesma.

As mudanças climáticas significam que, a cada verão, observamos mais ondas de calor semelhantes à atual, bem como mais noites quentes. A Quinta Avaliação Nacional do Clima, publicada há três anos, aponta que as temperaturas noturnas estão subindo mais rápido do que as diurnas nos EUA. “O número de noites em que a temperatura nunca cai abaixo de 70°F (aprox. 21°C) está aumentando em toda parte nos EUA, exceto nas Grandes Planícies do Norte”, diz o relatório.

Segundo Alex DaSilva, meteorologista da AccuWeather: “A tendência tem sido de mínimas noturnas cada vez mais altas, especialmente quando lidamos com esses grandes eventos de onda de calor.”

O motivo? A atmosfera está retendo mais calor à noite, diz DaSilva. Com noites mais quentes, a elevação da temperatura diurna começa a partir de um patamar inicial mais elevado.

A situação é agravada por condições geralmente mais úmidas, também atribuíveis às mudanças climáticas. Por isso, as pancadas de chuva típicas das tardes de verão podem não ajudar, diz ele. “Às vezes, a sensação pode ser ainda pior depois de uma chuva ou tempestade.”

As pessoas “não conseguem evaporar o suor da pele quando há tanta umidade no ar”, diz Ward, o que pode levar à insolação ou à exaustão pelo calor.

“É realmente uma combinação de temperatura e umidade relativa”, diz Kenney ao programa *Morning Edition* da NPR. “A resposta do suor só é realmente útil se esse suor puder evaporar.”

Essas temperaturas são motivo de preocupação para qualquer pessoa exposta a elas, mas, para quem não tem acesso a ar-condicionado, a situação é especialmente perigosa. Segundo a Administração de Informações sobre Energia dos EUA (EIA), 88% das residências americanas possuíam ar-condicionado em 2020.

No entanto, um estudo separado da KFF — uma organização sem fins lucrativos voltada para políticas de saúde, pesquisas de opinião e jornalismo, anteriormente conhecida como Kaiser Family Foundation — constatou que residências de asiáticos, negros e hispânicos tinham maior probabilidade de não possuir ar-condicionado do que as de brancos. O estudo também revelou que residências de renda mais baixa eram mais propensas a não ter ar-condicionado do que aquelas com renda mais alta.

As pessoas mais vulneráveis ​​são homens e mulheres mais velhos. E o problema é agravado por comorbidades, como doenças cardíacas e diabetes, afirma Kenney.

Se você precisar ficar exposto ao calor, ele recomenda ir com calma e acostumar-se ao calor gradualmente.

E, claro, manter-se hidratado. “Certifique-se de beber líquidos antes da exposição ao calor e, principalmente, depois, para tentar repor o que foi perdido.”

Fonte: npr.org

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