Cantora, compositora, apresentadora de TV e escritora brasileira. Considerada uma das maiores representantes do Rock no Brasil e ocupou um espaço único no universo da Música Popular Brasileira. Foi uma das mulheres que mais vendeu discos, sendo assim a 2ª artista feminina mais bem-sucedida em vendas no Brasil.
Rita Lee Jones de Carvalho foi considerada uma das musicistas mais influentes do Brasil, sendo referência para aqueles que vieram a usar guitarra a partir dos anos 1970. Participou de importantes revoluções no mundo da música e da sociedade.
Suas canções, em geral regadas com uma ironia ácida ou com uma reivindicação da independência feminina, tornaram-se onipresentes nas paradas de sucesso. O álbum Fruto Proibido (1975), lançado com a banda Tutti Frutti, é comumente visto como um marco fundamental na história do rock brasileiro, inclusive considerado um dos 100 melhores álbuns da história da música brasileira pela revista musical Rolling Stone Brasil, enquanto a versão americana o classificou entre os melhores da história do rock latino-americano. Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a lista dos cem maiores artistas da música brasileira, onde ela ocupa o 15° lugar.
Rita era vegana, defensora dos direitos dos animais, das mulheres e da comunidade LGBTQIA+.
Infância e Início na Música
Nascida em 31 de dezembro de 1947, em São Paulo, filha mais nova do dentista Charles Fenley Jones, paulista descendente de imigrantes norte-americanos estabelecidos em Santa Bárbara d’Oeste, e de Romilda Padula, apelidada Chesa, também paulista, filha de imigrantes italianos do sul da Itália. Lee é um nome composto com que o pai quis registrar todas as tres filhas, em homenagem ao general Robert E. Lee, do exército americano.
Ela nasceu e cresceu no bairro da Vila Mariana e foi educada no colégio franco-brasileiro Liceu Pasteur; era poliglota e falava fluentemente português, inglês, francês, castelhano e italiano. Chegou a ingressar no curso de Comunicação Social na Universidade de São Paulo, em 1968, na mesma turma da atriz Regina Duarte. Assim como Regina, abandonou o curso em 1969.
Na infância teve aulas de piano com a musicista clássica Magdalena Tagliaferro.
Foi na adolescência passou a se interessar por música e compôs suas primeiras canções. Junto de alguns amigos começou a se apresentar em clubes da região como componente do “Tulio’’s Trio”. Em 1963 formou um conjunto musical com mais duas garotas, as Teenage Singers. No ano seguinte elas conheceram o trio masculino Wooden Faces. Teenage Singers e Wooden Faces juntaram-se, formando o Six Sided Rockers, banda que depois passou a se chamar “Os Seis” e que chegou a gravar um disco compacto, com duas músicas.
Depois da saída de três componentes, sobraram Rita e os irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista. O trio passou a se chamar Os Bruxos. A ideia do nome “Os Mutantes” veio de uma brincadeira irônica de Alberto Helena Júnior, produtor do programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von da TV Record (1966). O grupo gostou da ideia e aprovou imediatamente.
Os Mutantes
Em 1967, os Mutantes acompanhou Gilberto Gil no III Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, na apresentação da canção “Domingo no Parque”.
Foram gravados seis álbuns, tendo o primeiro, de 1968, como uns dos mais importantes da história da música brasileira. De 1968 e 1972 foi casada com o companheiro de banda, Arnaldo, divorciando-se em 1977. Em decorrência do fim de seu casamento a cantora foi expulsa dos Mutantes pelo próprio Arnaldo. Dentre várias histórias e controvérsias, ela alega que seus companheiros achavam que ela não tinha o virtuosismo requerido pelo rock progressivo.
“Minha saída do grupo aconteceu bem nos moldes de ‘o noivo é o último a saber’, no caso, a noiva. Depois de passar o dia fora, chego ao ensaio e me deparo com um clima tenso/denso. Era um tal de um desviar a cara pra lá, o outro olhar para o teto, firular instrumento e coisa e tal. Até que Arnaldo quebra o gelo, toma a palavra e me comunica, não nessas palavras, mas o sentido era o mesmo, que naquele velório o defunto era eu. ‘A gente resolveu que a partir de agora você está fora dos Mutantes porque nós resolvemos seguir na linha progressiva-virtuose e você não tem calibre como instrumentista.’ Uma escarrada na cara seria menos humilhante. Em vez de me atirar de joelhos chorando e pedindo perdão por ter nascido mulher, fiz a silenciosa elegante. Me retirei da sala em clima dramático, fiz a mala, peguei Danny (a cachorra) e adiós.”
Tutti Frutti e a Consagração
Formou com Lúcia Turnbull uma dupla no estilo folk rock, Cilibrinas do Éden, cuja única gravação foi lançada mais de 35 anos depois. Rita e Lúcia desistiram da dupla e formaram a banda Tutti Frutti, com Luis Sérgio Carlini e Lee Marcucci. Um contrato com a gravadora Philips foi assinado, mas essa exigiu que o grupo assinasse como “Rita Lee & Tutti-Frutti”. O que seria o primeiro disco do grupo não foi lançado pela gravadora por problemas com a censura e com os executivos.
Em janeiro de 1975, a banda se apresentou no primeiro dia do festival Hollywood Rock.
Em junho de 1975 foi lançado aquele que é considerado a obra-prima de Rita, o álbum “Fruto Proibido”. O disco, que contém os sucessos “Agora Só Falta Você”, ‘”Esse Tal de Roque Enrow” e “Ovelha Negra”, tornou-se um clássico do rock brasileiro dando a Rita o título de “Rainha do rock”.
O disco Entradas e Bandeiras foi lançado em 1976, com os singles “Coisas da Vida”, “Corista de Rock” e “Com a Boca no Mundo”. O disco também contava com a faixa “Bruxa Amarela”. No mesmo ano, conheceu o músico Roberto de Carvalho, iniciando uma relação amorosa e que também se tornaria uma parceria profissional.
Em agosto de 1976, durante sua primeira gravidez e morando com Roberto, foi presa por porte e uso de maconha mesmo a cantora alegando que tinha deixado de usar drogas por causa da gravidez.
Abalada e sem dinheiro, lançou em março de 1977 a polêmica “Arrombou a Festa” cujo compacto vendeu mais de 250 mil cópias. Em março de 1977 nasce Beto Lee, primeiro filho da artista, seguido por João, em 1979, e Antônio, em 1981.
Em 1977 Rita saiu em turnê com Gilberto Gil no show denominado “Refestança”. O show foi registrado em disco, lançado pela Som Livre.
Em 1978, a banda lançou o disco “Babilônia”, que produziu os singles “Jardins da Babilônia”, “Agora é Moda”, “Eu e Meu Gato” e a futurista “Miss Brasil 2000”.
Depois do lançamento deste disco, a banda se desfez. Rita reformulou a banda e montou o show “Rita Lee & Cães e Gatos”. Essa apresentação deu origem a um dos primeiros álbuns piratas do Brasil, hoje, artigo de colecionador.
Parceria com Roberto de Carvalho
O primeiro trabalho em disco da dupla foi o álbum Rita Lee, de 1979, com os sucessos “Mania de Você”, “Chega Mais” e “Doce Vampiro”. O álbum se tornou um divisor de águas na carreira da artista.
Em 1980 é lançado o álbum “Rita Lee”, mais conhecido pelo seu hit “Lança Perfume”. Também fazem parte “Baila Comigo”, “Nem Luxo, Nem Lixo”, “Ôrra Meu”, “Shangrilá” e “Bem-Me-Quer”. Em 1981, gravam o álbum “Saúde”,
com a faixa-título, “Atlântida”, “Banho de Espuma”, e “Mutante”.
Em 1982 lançou Rita Lee e Roberto de Carvalho, com “Flagra”, “Só de Você”, “Vote em Mim”, “Barata Tonta” e “”Cor de Rosa Choque”. Bombom (1983) teve os hits “Desculpe o Auê” e “On the Rocks” e ainda como temas de novela “Raio X” e “Bobos da Corte”. Em 1985 Rita trouxe “Vírus do Amor”, “Yê Yê Yê”, “Noviças do Vício” e “Vítima”. Neste mesmo ano, apresenta-se na 1ª edição do Rock in Rio, que marcou sua volta aos palcos após dois anos.
Flerte Fatal chega em 1987 com “Bwana”, “Xuxuzinho”, “Brazix Muamba” e “Pega Rapaz”. Zona Zen veio no mesmo ano, com ”Livre Outra Vez”, ”Independência e Vida”, “Zona Zen” e ”Nunca Fui Santa”.
Em 1990 lançou o álbum Rita Lee e Roberto de Carvalho, que teve entre suas faixas a música “Perto do Fogo” e também “La Miranda” e “Esfinge”.
Carreira Solo e Retorno de Roberto
Em 1991, Rita separou-se profissionalmente de Roberto, iniciando a bem-sucedida turnê voz e violão Bossa ‘n’ Roll.
Em seguida, lança o disco Rita Lee em 1993.
Em dezembro de 1996, Rita realizou seu casamento civil com Roberto de Carvalho, passando a assinar Rita Lee Jones de Carvalho. Em 1997, lança o álbum Santa Rita de Sampa, com “Dona Doida”. O álbum possui ainda “Homem Vinho”. Em 1998, lança seu Acústico MTV, com a participação de Cássia Eller em “Luz del Fuego”, Paula Toller na canção “Desculpe o Auê”, Titãs em “Papai, Me Empresta o Carro” e Milton Nascimento em “Mania de Você”.
Em 2000, lança o álbum “3001”, com “Erva Venenosa”, “Pagu”, “O Amor em Pedaços” e sua faixa-título “3001” (uma continuação da canção “2001).
Logo após, Rita grava um CD com releituras de clássicos dos Beatles. O álbum é lançado como “Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar”, no exterior, Bossa’n Beatles. A roqueira então inicia a turnê internacional “Yê Yê Yê de Bamba” que durou de 2001 a 2002, percorrendo Brasil, EUA e alguns países da América Latina.
Em 2001 e 2002, lança dois álbuns de compilação, “Para Sempre” e “Novelas”, sendo este último somente com faixas suas de aberturas de telenovelas. E em 2003, lança o álbum “Balacobaco”, com a famosa faixa “Amor e Sexo”.
Reza e Aposentadoria
Em 2012, Rita anuncia sua aposentadoria dos palcos em seu show de estreia no Circo Voador no Rio de Janeiro.
Após alguns anos sem gravar músicas inéditas, Rita anuncia o lançamento de seu então novo álbum “Reza”. Pouco tempo depois a canção ultrapassou o sucesso “Ai, Se Eu Te Pego”, de Michel Teló, no iTunes Brasil.
Falecimento
Em maio de 2021, aos 73 anos, realizou um exame de saúde de rotina e foi diagnosticada com um tumor primário no pulmão esquerdo. Ao longo do tratamento, o câncer entrou em processo de metástase e a cantora teve de iniciar uma quimioterapia. Em abril de 2022, novos exames indicaram a ausência de um dos tumores. Ainda assim, a doença continuou a se espalhar pelos órgãos de Rita.
Em fevereiro de 2023, Rita foi internada no hospital Albert Einstein, em São Paulo, em estado delicado. Rita obteve alta em março. Desde então, ela entrou em cuidados paliativos. Nesse ponto, já havia perdido a capacidade de andar.
Em 8 de maio de 2023, seu estado de saúde piorou novamente e ela morreu cercada de sua família, em seu apartamento em São Paulo. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, decretou luto oficial de três dias em pesar pelo seu falecimento.
Outros Trabalhos
• Rádio: Em 1986 Rita dedicou-se a um programa de rádio chamado Rádio-amador, na 89 FM A Rádio Rock.
• Literatura Infantil: Entre 1986 a 1992 escreveu quatro livros infantis. Em 2013 publicou o livro “Storynhas”. Em 2019, retoma suas obras infantis com muito sucesso com “Amiga Ursa”.
• Biografia e outros: A cantora lançou a sua primeira autobiografia, em 2016, chamada “Rita Lee: uma autobiografia”. Em 2017 lançou um livro de contos chamado “Dropz” e, em 2018, a edição de luxo “FavoRita”. Em 2023, sua segunda obra autobiográfica, intitulada “ita Lee: outra autobiografia”, é lançada postumamente. Em 2024, “O Mito do Mito: de fã e de louco, todo mundo tem um pouco”, o segundo livro póstumo
da cantora.
• Televisão: Participação nos “Os Trapalhões” (1977), “Top Model” (1989), “Vamp” (1991) e ainda em 1991, Rita ganhou um programa na MTV Brasil intitulado TVleezão. Em 1997 participou do sitcom “Sai de Baixo”. De 2002 a 2004 participou do programa de televisão “Saia Justa”, no canal pago GNT (Globosat). Em “Celebridade” (2003), fez uma participação especial como ela mesma. Em 2005 comandou, ao lado de Roberto de Carvalho, o talk show “Madame Lee”, também transmitido pela GNT.
Legado
O legado de Rita Lee foi imortalizado por meio de um mural na Vila Mariana instalado em 2023. Criado pelos artistas Paulo Terra, Pedro Terra e Eraldo Moura.
Em abril de 2024 o prefeito de São Paulo dá nome de Rita Lee a antiga “Praça da Paz”, localizada no Parque Ibirapuera, passando a se chamar “Praça da Paz – Rita Lee”. Em julho do mesmo ano a Câmara Municipal de São Paulo homenageou a cantora instituindo o dia 22 de maio como o “Dia de Rita Lee”.
Em 2024, a Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro homengeou a cantora com o Parque Rita Lee, situado dentro do Parque Olímpico do Rio de Janeiro.
Fonte: Wikipedia

