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No início deste verão, durante uma viagem ao Nordeste do Brasil, visitei um lugar diferente de tudo o que já conheci. Uma viagem de ônibus de quatro horas, partindo da quente e úmida cidade de São Luís, levou-me a Barreirinhas, uma pacata cidade de pescadores. De lá, fiz um trajeto bastante acidentado em um veículo 4×4 para chegar às dunas de areia branca imaculada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

Essa paisagem singular, composta por centenas de milhares de acres de areia, é ladeada por uma mata densa de um lado e pelo Oceano Atlântico do outro. O parque recebe o nome de “Lençóis” porque, vistas de cima, as dunas lembram lençóis ondulantes.

Subir ao topo das dunas não foi tarefa fácil para meus pés, que não estavam acostumados àquele terreno e afundavam cada vez mais na areia fina como talco a cada passo. A recompensa foi uma vista que parecia saída de um filme de ficção científica. Quando visitei o local em julho, mais de 35.000 lagoas — que pontilhavam a extensão aparentemente infinita de dunas — estavam cheias de água doce após a estação chuvosa, formando piscinas perfeitas onde foi um prazer mergulhar depois de um dia escalando as dunas.

Contemplar o que parecia ser um vasto deserto branco, interrompido por lagoas de um azul cintilante, dava a sensação de estar em outro planeta.

Na verdade, este lugar não é um deserto. Afinal, ele fica bem próximo à Floresta Amazônica. Esse Patrimônio Mundial da UNESCO recebe cerca de 1.270 milímetros (50 polegadas) de chuva por ano — mais do que o dobro do volume de precipitação da minha cidade natal, Londres! Um lugar que, do topo de uma duna de areia em meio à paisagem de outro mundo dos Lençóis, parecia muito distante.

Fonte: npr.org, por Fatima Al-Kassab

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