O presidente Trump afirma que os Estados Unidos estão negociando com o Irã para encerrar a guerra, que já entra em sua quarta semana. O Irã negou a existência de tais conversas.
Falando a repórteres na segunda-feira, Trump disse que os objetivos dos EUA incluem a interrupção, por parte do Irã, do enriquecimento de urânio para seu programa nuclear, bem como a remoção, pelos EUA, do urânio enriquecido que o Irã já possui.
“Se isso acontecer, será um ótimo começo para o Irã se reerguer, e é tudo o que queremos”, disse Trump aos repórteres na segunda-feira. Ele afirmou que seria um excelente acordo para Israel, bem como para a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Catar, o Kuwait e o Bahrein.
“Não há diálogo entre Teerã e Washington”, declarou o Ministério das Relações Exteriores do Irã, segundo a emissora estatal do país. O ministério afirmou que a postagem anterior de Trump nas redes sociais, alardeando “conversas produtivas” com Teerã, tinha como objetivo acalmar os mercados de energia e ganhar tempo para executar seus planos militares. Os principais índices de ações dispararam e os preços do petróleo caíram com a notícia.
O presidente do parlamento iraniano também negou a existência de negociações.
Confira a seguir o que mais você precisa saber sobre os últimos desdobramentos do conflito.
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Irã ameaça atacar a infraestrutura energética do Golfo
Autoridades iranianas alertaram na segunda-feira que, se os EUA atacarem as usinas de energia do Irã, o país retaliará contra a infraestrutura de energia e água em toda a região do Golfo — inclusive em países que abrigam bases militares norte-americanas.
Em um comunicado separado, o Conselho de Defesa do Irã afirmou que países “não beligerantes” só poderiam transitar pelo Estreito de Ormuz mediante coordenação com o Irã, e alertou que qualquer ataque às costas ou ilhas iranianas desencadearia a colocação de minas nas rotas marítimas do Golfo, o que poderia bloquear efetivamente o tráfego marítimo para além do estreito canal.
O comandante do Comando Central dos EUA, Almirante Brad Cooper, disse na segunda-feira que o Estreito de Ormuz está “fisicamente aberto”, mas argumentou que os navios estão se mantendo afastados porque o Irã tem disparado mísseis e drones contra as embarcações. Cooper fez esses comentários em uma entrevista à *Iran International*, um veículo de notícias em persa sediado em Londres.
Cooper afirmou que a campanha dos EUA no Irã está “adiantada ou dentro do planejado”, acrescentando que as capacidades militares do Irã estão se deteriorando. Ele também acusou o Irã de visar cada vez mais civis em todo o Oriente Médio.
“Eles estão agindo em um sinal de desespero… nas últimas semanas, atacaram alvos civis de forma muito deliberada, mais de 300 vezes”, disse Cooper.
Chefe da Agência Internacional de Energia alerta que a economia global enfrenta uma “ameaça gravíssima”
Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia, alertou na segunda-feira que a economia global enfrenta uma “ameaça gravíssima” decorrente das interrupções nos fluxos de petróleo e gás causadas pela guerra.
“Nenhum país estará imune aos efeitos desta crise se ela continuar a seguir nesta direção”, disse Birol, falando no Clube Nacional de Imprensa da Austrália, em Canberra, na segunda-feira.
Ele acrescentou: “A situação é muito grave.”
“Pelo menos 40 instalações de energia em nove países também foram severamente danificadas durante o conflito.”
Birol afirmou que a situação atual é pior do que a soma das crises do petróleo de 1973 e 1979, que, juntas, resultaram na perda de 10 milhões de barris por dia.
“E hoje — apenas hoje — perdemos 11 milhões de barris por dia; portanto, mais do que dois grandes choques do petróleo somados”, disse ele.
Birol informou que a AIE está em consulta com governos da Europa, Ásia, América do Norte e Oriente Médio sobre a liberação de mais reservas estratégicas de petróleo, além dos “históricos” 400 milhões de barris liberados no início deste mês.
Fonte: npr.org
