Ao menos 20 pessoas morreram na Zona da Mata de Minas Gerais após os temporais que atingem a região desde a noite de segunda-feira (23), com impactos severos em Juiz de Fora e Ubá, segundo informações publicadas pela Folha de São Paulo. Em Juiz de Fora, cidade mais afetada, foram confirmadas 16 mortes, enquanto outras quatro ocorreram em Ubá.
Em Juiz de Fora, os estragos levaram a prefeita Margarida Salomão (PT) a decretar estado de calamidade pública ainda na madrugada de terça-feira (24). De acordo com o levantamento divulgado, as vítimas na cidade estavam nos bairros JK e Santa Rita, com quatro mortes em cada localidade; Vila Ideal, com duas; além de registros nos bairros Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa.
A prefeitura informou que 440 pessoas ficaram desabrigadas e receberam acolhimento emergencial. Segundo a prefeita, o temporal provocou ao menos 20 soterramentos de imóveis, principalmente na região sudeste do município. A Defesa Civil atendeu 251 ocorrências relacionadas às chuvas.
No bairro Parque Jardim Burnier, um deslizamento de encosta soterrou 12 imóveis. No local, foram registradas pelo menos quatro mortes e há 17 pessoas desaparecidas. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e voluntários de empresas privadas atuam nas buscas e no resgate das vítimas. Na manhã desta terça-feira, uma mulher foi encontrada com vida na rua do Carmelo, no bairro Paineiras.
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram moradores tentando resgatar vizinhos ilhados, casas desabando e ruas completamente alagadas. Em um dos pedidos de ajuda publicados no Instagram, a mensagem relata: “Uma casa desmoronou e tem uma pessoa presa”. Um morador do bairro Grajaú afirmou que não conseguia atendimento junto ao Corpo de Bombeiros.
Juiz de Fora enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com acumulado de 584 milímetros até o momento, volume que corresponde ao dobro da média prevista para o mês. Além dos soterramentos, foram registradas quedas de árvores e diversos bairros ficaram isolados pelas águas.
Diante do cenário, a prefeita declarou: “É uma situação extrema, que permite medidas extremas”. As aulas foram suspensas e os servidores que atuam na sede da prefeitura passaram a trabalhar em regime remoto. O decreto de calamidade pública, com validade de 180 dias, permite acelerar o acesso a recursos estaduais e federais.
Margarida Salomão também destacou a necessidade de mobilização social para enfrentar a crise. “Estamos nos desdobrando para socorrer as pessoas e salvar vidas”, afirmou, ao mencionar que o município precisará de um período de recuperação.
A intensidade das chuvas provocou o transbordamento do rio Paraibuna e levou à interdição da ponte Vermelha e do túnel Mergulhão. Deslizamentos bloquearam o tráfego na Serra dos Bandeirantes e na Garganta Dilermando. Na avenida Brasil, a queda de árvores comprometeu a circulação. Ao menos dez pontos da cidade registraram alagamentos, parte deles já com escoamento das águas na manhã desta terça-feira, segundo a prefeitura.
Em Ubá, a 111 quilômetros de Juiz de Fora, o temporal deixou ao menos quatro mortos. O Corpo de Bombeiros informou que recebeu mais de 70 chamados envolvendo desaparecimentos, deslizamentos, quedas de árvores, desmoronamentos e pessoas ilhadas. Serviços públicos foram afetados e a prefeitura iniciou campanha de arrecadação de suprimentos, destacando nas redes sociais que “famílias perderam tudo”.
Fonte: brasil247.com
