Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina começam oficialmente nesta sexta-feira (6), com cerimônias de abertura marcadas para dois pontos emblemáticos da Itália: o Estádio San Siro, em Milão, e a cidade de Cortina. A solenidade terá início às 16h (horário de Brasília), reunindo cerca de 2.900 atletas de 92 países. O Brasil estará representado por 14 competidores, no que será a maior delegação brasileira já enviada a uma edição de Olimpíadas de Inverno.
A competição seguirá até o dia 22 de fevereiro, e a expectativa brasileira é alcançar resultados inéditos, com chances concretas de pódio em modalidades onde o país vem crescendo nos últimos anos.
Um dos destaques simbólicos da abertura será a presença da ginasta Rebeca Andrade, maior medalhista olímpica brasileira em Jogos Olímpicos tradicionais. Convidada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela organização do evento, ela foi escolhida para conduzir a Bandeira Olímpica ao lado de outras sete personalidades internacionais.
Rebeca celebrou a escolha e destacou a relevância do momento em sua trajetória esportiva. “É uma honra e um orgulho enormes receber este convite do COI. É um privilégio participar deste movimento, estar ao lado de atletas do mundo todo, carregar a Bandeira Olímpica e representar o Brasil mais uma vez em um momento tão especial para todos os atletas e amantes do esporte”, afirmou.
Além dela, também participam do desfile nomes como o queniano Eliud Kipchoge, a atleta refugiada Cindy Ngamba e o ativista italiano Nicolò Govoni, entre outros convidados internacionais.
Nicole Silveira e Lucas Pinheiro serão os porta-bandeiras do Brasil
A delegação brasileira será representada nos desfiles por dois atletas de destaque. Em Cortina, quem conduzirá a bandeira será Nicole Silveira, referência nacional do skeleton e quarta colocada no último Mundial da modalidade. Já em Milão, a responsabilidade ficará com Lucas Pinheiro, um dos nomes em ascensão no cenário internacional do esqui alpino.
Nicole relatou emoção ao receber o convite e destacou a importância do gesto para o crescimento brasileiro nos esportes de inverno. “Foi emocionante receber o convite. É um orgulho enorme e uma honra levar a bandeira do Brasil nesse palco grandioso, especialmente nos esportes de inverno, em que o nosso país vem crescendo. Esse momento representa muito da trajetória que estou construindo ao longo dos anos. E, claro, ocupo esse lugar com responsabilidade, porque hoje o Brasil é um país respeitado no cenário esportivo. Isso mostra ao mundo que é possível lutar para chegar ao topo”, disse.
Lucas também ressaltou o significado do momento e demonstrou ambição competitiva. “Mal posso esperar para representar nossas cores e carregar nossa bandeira. É uma honra imensa. O Brasil não está aqui para participar. Está aqui para fazer a diferença”, declarou.
Bolsa Atleta reforça presença nos Jogos
Um dos principais pilares do Brasil nesta edição será o programa Bolsa Atleta. Dos 14 atletas confirmados, sete são bolsistas atualmente e outros dois já foram contemplados em editais anteriores. Ao todo, nove integrantes da delegação já receberam apoio do programa em algum momento da carreira.
O ministro do Esporte, André Fufuca, destacou a importância do investimento federal para o desempenho esportivo brasileiro e lembrou o impacto do programa também em outras competições recentes. “Dos 14 atletas competindo, nove já receberam o Bolsa Atleta (dos quais sete seguem bolsistas). 90% dos atletas que participaram dos Jogos Olímpicos de Paris (2024) recebiam o apoio. Nos Jogos Paralímpicos (de Paris), o alcance foi de 100%. Agora, a gente chega a Milão, nos Jogos de Inverno, com uma grande quantidade de apoiados pelo programa, que é referência para o mundo. Não podemos levar neve para o Brasil, mas temos a garantia de que o Bolsa Atleta pode nos ajudar a levar medalhas ao nosso país”, afirmou.
O volume de recursos destinados diretamente aos atletas ao longo de suas trajetórias supera R$ 1,6 milhão, segundo a nota oficial. Entre os bolsistas, Nicole Silveira é o principal destaque, recebendo apoio na categoria Pódio, considerada a mais alta do programa.
Casa Brasil é inaugurada em Milão
Antes do início oficial das disputas, o Governo do Brasil inaugurou nesta quinta-feira (5) a Casa Brasil, espaço criado para reunir torcedores, atletas e autoridades durante os 17 dias de evento. O local funcionará como vitrine cultural do país, com programação voltada para esporte, música, arte e manifestações tradicionais brasileiras.
O ministro André Fufuca explicou a proposta do ambiente e seu papel simbólico para a delegação. “É uma casa para que o torcedor brasileiro na Itália possa torcer pelo Brasil. E para que os italianos possam conhecer nossa cultura, e, principalmente, para que o Brasil mostre sua grandeza de espírito, de alma e de coração para todo o mundo”, declarou.
Cerimônia de abertura terá Mariah Carey, Laura Pausini e Andrea Bocelli
A cerimônia no Estádio San Siro contará ainda com apresentações de artistas internacionais de grande projeção. Entre os nomes confirmados estão Mariah Carey, vencedora de cinco prêmios Grammy, a cantora italiana Laura Pausini e o tenor Andrea Bocelli.
Já em Cortina, outras homenagens e participações também marcam o evento, incluindo nomes históricos do esporte italiano, como Franco Nones, campeão olímpico no esqui cross-country, e Martina Valcepina, referência na patinação de velocidade em pista curta.
Brasil completa 10 participações em Jogos Olímpicos de Inverno
Milão-Cortina marca a 10ª participação brasileira na história dos Jogos Olímpicos de Inverno. O país estreou na competição em Albertville, em 1992, e desde então esteve presente em Lillehammer-1994, Nagano-1998, Salt Lake City-2002, Turim-2006, Vancouver-2010, Sochi-2014, PyeongChang-2018 e Pequim-2022.
Até hoje, os melhores resultados do Brasil foram o 9º lugar de Isabel Clark no snowboard em Turim-2006 e o 13º lugar de Nicole Silveira no skeleton em Pequim-2022. Antes desta edição, 40 atletas brasileiros — 27 homens e 13 mulheres — já haviam representado o país em nove modalidades diferentes.
A equipe brasileira em Milão-Cortina reúne atletas com perfis variados, incluindo competidores formados no exterior, nomes que mudaram de nacionalidade esportiva e jovens talentos que já acumulam resultados expressivos.
Entre os destaques está Lucas Pinheiro Braathen, nascido em Oslo, com mãe brasileira e pai norueguês. Após defender a Noruega até 2022/2023, ele passou a competir pelo Brasil em 2024 e soma resultados históricos, incluindo nove pódios em etapas da Copa do Mundo de esqui alpino e um título conquistado em Levi, na Finlândia.
No esqui alpino, o Brasil também contará com Christian Oliveira, Giovanni Ongaro e Alice Padilha, considerada uma das principais revelações brasileiras no feminino, com vaga assegurada para a disputa do slalom.
No esqui cross-country, a equipe terá Eduarda Ribera, Bruna Moura e Manex Silva. Ribera já participou dos Jogos Olímpicos da Juventude em Lausanne e esteve em Pequim-2022, enquanto Bruna fará sua estreia olímpica após ficar fora da edição anterior por conta de um acidente.
No snowboard halfpipe, os representantes serão Pat Burgener e Augustinho Teixeira. Burgener, que defendia a Suíça, passou a competir pelo Brasil em 2025 e conquistou resultados inéditos para o país, incluindo presença em finais e pódio em etapa da Copa do Mundo. Já Augustinho foi campeão da European Cup em 2025 e teve bom desempenho em competições internacionais recentes.
O bobsled brasileiro contará com Edson Bindilatti, recordista nacional de participações olímpicas, que chega à sua sexta edição, além de Davidson de Souza, Rafael Souza, Luis Bacca e Gustavo Ferreira. Bindilatti é considerado um dos pioneiros da modalidade no país e soma presença desde Salt Lake City-2002.
Fonte: brasil247.com
