Ozzy Osbourne, o famoso vocalista do Black Sabbath conhecido tanto por seus excessos e palhaçadas bizarras no palco quanto por sua música pioneira no heavy metal, morreu em Londres.
Atormentado por problemas de saúde durante anos, Osbourne morreu na manhã dessa terça-feira (22), anunciou sua família em um comunicado obtido pelo The Times.
Ele tinha 76 anos.
“É com mais tristeza do que meras palavras podem expressar que temos que informar que nosso amado Ozzy Osbourne faleceu esta manhã. Ele estava com sua família e cercado de amor. Pedimos a todos que respeitem a privacidade da nossa família neste momento”, disse a família em um comunicado divulgado pelo assessor de imprensa de Osbourne.
Osbourne anunciou no início de 2020 que havia sido diagnosticado quase um ano antes com a doença de Parkinson, apenas a mais recente, mas de longe a mais séria, doença que, ao longo de sua carreira, o forçou repetidamente a cancelar aparicoes públicas, adiar o lançamento de novos materiais e cancelar shows, incluindo sua própria turnê de aposentadoria.
A carreira do pioneiro do heavy metal durou mais de quatro décadas, como membro do Black Sabbath e artista solo, e depois como maestro por trás do Ozzfest anual, que o apresentava — às vezes — ao lado de artistas emergentes. O fato de ser amplamente ignorado pela crítica não pareceu incomodar Osbourne: os fãs o aplaudiram intensamente, ele vendeu mais de 100 milhões de discos como líder do Black Sabbath e como artista solo, e foi introduzido no Hall da Fama do Rock and Roll junto com seus companheiros de banda em 2006.
Guiado por sua esposa, Sharon Osbourne, que era sua empresária e força constante, Osbourne se reinventou na década de 1990 como um veterano do heavy metal. O músico também alcançou notoriedade tardia através do popular reality show da familia na MTV, “The Osbournes” onde interpretou a si mesmo — o patriarca resmungão e quase em coma de uma família completamente disfuncional.
“As pessoas se perguntam por que não conseguem entendê-lo”, disse sua esposa ” vc também seria difícil de entender se bebesse dois tonéis de café, dois tonéis de vinho e tomasse 25 Vicodin por dia.”
Osbourne não discordou, “Se alguém viveu o estilo de vida depravado do rock ‘n’ roll”, admitiu Osbourne, “acho que sou eu”. Nascido John Michael Osbourne em 3 de dezembro de 1948, o caçula de quatro irmãos, Osbourne foi criado em um bairro operário em Birmingham, Inglaterra. Sua mãe trabalhava em uma fábrica; seu pai trabalhava à noite como ferramenteiro. Osbourne disse que seus pais eram pobres e tinham poucas expectativas de que o filho pudesse alcançar grande sucesso.
“Tudo o que eu sempre quis foi fazer algo de bom para que meus pais pudessem se orgulhar de mim”, disse ele à GQ. “Nunca recebi nenhum incentivo.”
Desde cedo, ele se interessou por teatro, atuando em peças da escola. Mas quando ouviu os Beatles pela primeira vez, soube que queria ser músico.
Ao lado do guitarrista Tony Iommi, do baixista Geezer Butler e do baterista Bill Ward, Osbourne surgiu como a voz e o rosto do Black Sabbath em 1969.
O grupo era ameaçador e sombrio. Mas foi creditado por introduzir os fundamentos do heavy metal, incluindo o vocal agressivo, riffs de baixo pesado, temas demoníacos e um espírito geral de rebeldia.
O Black Sabbath lançou seu primeiro disco, autointitulado, em uma sexta-feira 13 de fevereiro de 1970, uma data que não foi coincidência. Ganhou disco de platina na Inglaterra e nos EUA. Rejeitado ou simplesmente ignorado pela crítica, tornou-se, ainda assim, música obrigatória nos dormitórios universitários de todo o país. A banda lançou mais de uma dúzia de álbuns de estúdio, muitos dos quais coincidiram com turnês mundiais.
Cansado do comportamento errático de seu vocalista, Tommy Iommi demitiu Osbourne da banda em 1979, quando ele se viu mergulhado em uma onda de álcool e drogas. Durante anos, outros cantores ( de Ronnie James Dio ao vocalista do Deep Purple, Ian Gillan ) lideraram o Black Sabbath. Osbourne se reunia com várias formações periodicamente e, em 2006, a banda se apresentou em sua introdução ao Hall da Fama.
Osbourne casou-se com Sharon Arden, filha do empresário da banda, Don Arden, em 1982, e ela assumiu a gestão de sua carreira. O casal lançou o Ozzfest em 1996, e o festival itinerante tornou-se o primeiro dedicado ao hard rock e a artistas emergentes de heavy metal. Osbourne foi a atração principal dos shows inaugurais em Phoenix e Devore, Califórnia, e doou parte da renda para instituições de caridade em todo o país.
Osbourne lançou seu primeiro disco solo, “Blizzard of Ozz”, em 1980, que alcançou disco de platina. Outros discos solo se seguiram e, em 1985, ele se apresentou no show Live Aid, em apoio à fome, no Estádio de Wembley, em Londres, ao lado de Queen, David Bowie, Madonna e The Who. Seu 13º álbum, “Patient
Number 9″, foi lançado em 2022, com críticas geralmente positivas e rapidamente entrou nas paradas.
Suas palhaçadas, às vezes alarmantes, no palco se tornaram parte do charme do grupo, mas também se mostraram controversas.
Em 1982, Osbourne teria mordido a cabeça de um morcego morto no palco durante um show em Iowa. Ele já tinha um histórico de decapitações de animais após supostamente ter mordido a cabeça de uma pomba viva durante uma reunião com executivos de gravadoras. A atitude levou o Vets Auditorium, em Des Moines, a proibir artistas de shows de usar ou apresentar animais vivos no palco sem o consentimento da gerência.
Ele também foi levado ao tribunal por causa da letra de uma de suas músicas, “Suicide Solution” — uma faixa de “Blizzard of Ozz”. Ele foi acusado em uma ação civil em 1985 de causar a morte de dois adolescentes que supostamente cometeram suicídio após ouvir a música. Osbourne disse mais tarde que a música foi inspirada pela morte do letrista do AC/DC, Bon Scott, em 1980, relacionada ao álcool, embora o próprio compositor, Bob Daisley, tenha dito que, na verdade, estava pensando em Osbourne quando escreveu a letra.
Em 1989, Osbourne se apresentou no Moscow Music Peace Festival, o primeiro grande show de rock de artistas ocidentais na então União Soviética.
O músico lançou mais cinco discos na década de 1990, e sua canção de 1993, “I Don’t Want to Change the World”, lhe rendeu seu primeiro Grammy por performance de metal.
Ozzy Osbourne recebeu o prêmio Grammy 2014 do Black Sabbath de melhor performance de metal.
Nunca totalmente desvendado de seu histórico de vício e abuso de substâncias, o estado mental nebuloso de Osbourne ficou evidente para o público global durante o reality show de sua família na MTV. O programa, sem roteiro, durou quatro temporadas e, durante sua exibição, Osbourne assinou um contrato de renovação de US$ 10 milhões com a MTV, conheceu o presidente George W. Bush em um jantar em Washington, se apresentou no Palácio de Buckingham e apertou a mão da Rainha Elizabeth II.
Osbourne disse mais tarde que seu estupor inabalável era devido ao uso de Valium e uma série de outros narcóticos poderosos prescritos por um médico de Beverly Hills que estava sob investigacao por prescrever medicamentos em excesso para pacientes famosos.
“Eu estava exausto de comprimidos. Eu não conseguia falar. Não conseguia andar. Mal conseguia ficar de pé. Eu me arrastava como o Corcunda de Notre Dame. Cheguei a um ponto em que eu tinha medo de fechar os olhos à noite — medo de não acordar.”
Registros de receitas obtidos durante a investigação mostraram que Osbourne estava tomando mais de 40 comprimidos por dia, um regime que incluía opiáceos, tranquilizantes, anfetaminas, antidepressivos e um antipsicótico.
Um dia antes de um show de Ano Novo em 2018 , Osbourne disse que estava livre de drogas, álcool e até tabaco há mais de quatro anos.
“Quer dizer, agora tenho netos e tenho 70 anos, e não quero ser encontrado morto em um quarto de hotel em algum lugar” Mesmo assim, sua saúde piorou. Em 2019, ele foi diagnosticado com uma infecção respiratória grave, que seus médicos acreditavam que poderia evoluir para pneumonia, dada a intensidade física de suas apresentações ao vivo e uma extensa agenda de viagens pela Europa em condições rigorosas de inverno.
Ele cancelou sua turnê de despedida e, em seguida, cancelou ainda mais shows em sua turnê de despedida relançada, antes de ser hospitalizado por complicações de uma gripe. Meses depois, ele adiou mais shows devido a uma lesão não revelada que exigiu cirurgia após uma queda em sua casa. A queda agravou uma lesão sofrida em um acidente quase fatal de quadriciclo em 2003.
Em uma entrevista para o programa “Good Morning America” em 2020, Osbourne especulou que a queda pode ter sido um sinal precoce de Parkinson, uma doença neurodegenerativa debilitante para a qual não há cura.
Osbourne disse que o diagnóstico, na verdade, ajudou a unir sua família, embora tenha ficado com a ideia de que agora era o único da família que não trabalhava. Preocupações à parte, os Osbournes foram classificados pela Forbes em 2018 entre os casais mais ricos da Inglaterra, com um patrimônio líquido superior a US$ 200 milhões.
“Vindo de uma família da classe trabalhadora, detesto decepcionar as pessoas. Detesto não fazer meu trabalho”, disse Osbourne a Roberts. “E então, quando vejo minha esposa indo trabalhar, meus filhos indo trabalhar, todo mundo tentando me ajudar, isso me desanima porque não posso contribuir para minha família, sabe?”
Mas ele trabalhou, voltando penosamente ao estúdio para começar a gravar seu 12º álbum, “Ordinary Man”.
Osbourne deixa esposa e os três filhos, Aimee, Kelly, Jack Osbourne, e netos. Ele também deixa três filhos de um casamento anterior: Jessica, Louis e Elliot.
ISAURA LA COUR
Joranlista
