O líder dos direitos civis Jesse Jackson, uma das figuras mais influentes da política e do ativismo social nos Estados Unidos nas últimas décadas, morreu aos 84 anos, conforme informou sua família nesta terça-feira (17). Pastor batista e aliado próximo de Martin Luther King Jr., Jackson construiu uma trajetória marcada por forte oratória, campanhas presidenciais históricas e atuação em defesa de comunidades marginalizadas.
“Nosso pai era um líder servidor – não apenas para nossa família, mas para os oprimidos, os sem voz e os marginalizados em todo o mundo”, declarou a família Jackson, conforme relato da Reuters.
Diagnosticado com doença de Parkinson em 2017, Jackson enfrentava a enfermidade após três anos de sintomas. Ele residia há décadas em Chicago e permaneceu ativo na vida pública mesmo após o diagnóstico.
A morte ocorre em um momento de intensos debates sobre memória histórica e direitos civis nos Estados Unidos. O governo de Donald Trump tem promovido medidas voltadas à revisão de exposições e monumentos públicos, sob a justificativa de combater o que classifica como ideologia “anti-americana”. Defensores dos direitos civis afirmam que tais ações podem comprometer avanços conquistados ao longo de décadas.
Duas campanhas presidenciais históricas
Jesse Jackson disputou a indicação presidencial do Partido Democrata em 1984 e 1988, tornando-se um dos primeiros afro-americanos a montar campanhas competitivas em nível nacional. Em 1984, obteve 3,3 milhões de votos nas prévias democratas, cerca de 18% do total, ficando em terceiro lugar na corrida vencida por Walter Mondale.
Na segunda disputa, conquistou 6,8 milhões de votos — 29% do total —, venceu 11 primárias e assembleias estaduais e ficou em segundo lugar na disputa interna do partido, atrás de Michael Dukakis. Jackson apresentou-se como um agente de transformação para pessoas negras, pobres e marginalizadas.
Na Convenção Nacional Democrata de 1988, em Atlanta, fez um discurso que se tornaria um dos mais lembrados de sua trajetória. ““A América não é um cobertor tecido com um único fio, uma única cor, um único tecido”, afirmou aos delegados.
Em outro trecho marcante, declarou: “Onde quer que você esteja esta noite, você pode conseguir. Mantenha a cabeça erguida, estufe o peito. Você pode conseguir. Às vezes escurece, mas a manhã chega. Não se renda. O sofrimento gera caráter, o caráter gera fé. No fim, a fé não decepcionará”.
Origem no sul segregado
Nascido em 8 de outubro de 1941, em Greenville, na Carolina do Sul, Jackson cresceu sob as leis de segregação racial conhecidas como Jim Crow. Durante a juventude, recebeu bolsa de estudos para jogar futebol americano na Universidade de Illinois, mas transferiu-se para uma instituição historicamente voltada a estudantes negros após relatar experiências de discriminação. O ativismo começou ainda na faculdade. Ele foi preso ao tentar entrar em uma biblioteca pública restrita a pessoas brancas na Carolina do Sul. Mais tarde, estudou no Chicago Theological Seminary e foi ordenado pastor batista em 1968.
Jackson tornou-se colaborador próximo de Martin Luther King Jr. e esteve em Memphis no dia em que o líder foi assassinado, em 1968. Após a morte de King, rompeu com a liderança da Southern Christian Leadership Conference (SCLC) e fundou, no início dos anos 1970, a organização Operation PUSH, em Chicago. Em 1984, criou a National Rainbow Coalition, voltada à ampliação da agenda de direitos civis para incluir também direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+. As duas organizações se fundiram em 1996. Ele deixou a presidência da Rainbow-PUSH Coalition em 2023, após mais de cinco décadas de liderança.
Fonte: brasil247.com
