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Robert Duvall, astro de clássicos do cinema e vencedor do Oscar, morre aos 95 anos

Ator estrelou em filmes como Apocalypse Now e O Poderoso Chefão e construiu carreira com participação em quase 100 produções.

O vencedor do Oscar Robert Duvall, um ator versátil que deixou impressões duradouras em uma variedade de papéis, de protagonistas a coadjuvantes, como o coronel obcecado por napalm de “Apocalypse Now” ou o espectral Boo Radley de “O Sol é Para Todos”, morreu aos 95 anos, disse sua esposa em uma postagem no Facebook.

“Para cada um de seus muitos papéis, Bob deu tudo de si aos seus personagens e à verdade do espírito humano que eles representavam”, disse Luciana Duvall na publicação.

Duvall interpretou líderes fortes como o tenente-coronel Bull Meechum em “O Grande Santini” e o personagem-título em “Stalin”, além de personagens decadentes e derrotados em “Um Homem, Uma Mulher, Uma Esperança” e “O Apóstolo”. Ele ganhou prêmios pelos dois tipos de papéis.

Duvall, filho de um almirante da Marinha e de uma atriz amadora, cresceu em Annapolis, Maryland. Depois de se formar no Principia College, em Illinois, e servir no Exército dos EUA, mudou-se para Nova York, onde dividiu apartamento com Dustin Hoffman e fez amizade com Gene Hackman quando os três eram estudantes de atuação com dificuldades financeiras.

Após trabalhar em vários programas de televisão, Duvall causou forte impressão mesmo em papéis pequenos, como sua primeira participação no cinema como o misterioso recluso Boo Radley em “O Sol é Para Todos”.

Duvall conseguiu o papel por sugestão do roteirista do filme, Horton Foote, que havia gostado do trabalho de Duvall em uma de suas peças.

Foote depois escreveu “Um Homem, Uma Mulher, Uma Esperança”, filme de 1983 pelo qual Duvall ganhou o Oscar de melhor ator interpretando um cantor country decadente.

Talvez o papel mais memorável de Duvall tenha sido no épico sobre a Guerra do Vietnã de 1979 dirigido por Francis Ford Coppola, “Apocalypse Now”, interpretando o excêntrico tenente-coronel Bill Kilgore, obcecado por surfe.

Duvall teve apenas alguns minutos de tempo de tela, mas quase roubou o filme quando seu personagem circula pelo campo de batalha após um ataque bem-sucedido e proclama com entusiasmo: “Eu amo o cheiro de napalm pela manhã”. Cheirava a “vitória”, disse Kilgore.

O papel rendeu a Duvall uma de suas sete indicações ao Oscar. Outra foi como melhor ator coadjuvante em “O Poderoso Chefão”, interpretando Tom Hagen, conselheiro da família mafiosa Corleone. Duvall apareceu no segundo filme da franquia, mas recusou o terceiro por considerar o salário oferecido inadequado.

Duvall também foi indicado ao Oscar por “O Grande Santini”, “O Apóstolo”, “A Qualquer Preço” (A Civil Action) e “O Juiz” (The Judge), em 2014. No total, ele apareceu em quase 100 filmes.

Duvall também tinha talento para interpretar cowboys. Ele ganhou um Emmy pela minissérie de TV “Rastro Perdido” e atuou ao lado de John Wayne em “Bravura Indômita”. O ator recebeu uma indicação ao Emmy pela minissérie “Lonesome Dove” e costumava dizer que sua interpretação do simpático xerife que virou cowboy Gus McRae foi seu papel favorito.

“Acho que consegui construir um personagem muito específico que representa algo importante na história do movimento do Velho Oeste”, disse Duvall ao New York Times. “Depois disso, senti que poderia me aposentar, que tinha feito algo importante.”

Quando se cansava de Hollywood, Duvall fazia seus próprios filmes. Ele escreveu, dirigiu e recebeu indicação ao Oscar de atuação por “O Apóstolo”, história de um pastor em conflito.

Duvall fez o mesmo com “Assassination Tango”, filme que lhe permitiu mostrar sua paixão pelo tango e pela Argentina, onde conheceu sua quarta esposa, Luciana Pedraza. Ambos nasceram em 5 de janeiro, mas com 41 anos de diferença.

Duvall dividia seu tempo entre Los Angeles, a Argentina e uma fazenda de 146 hectares na Virgínia, onde transformou um celeiro em um salão de dança de tango.

Fonte: brasil247.com

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