No passado, mulheres e meninas eram informadas sobre o que deveriam fazer para evitar o assédio de rua — como deveriam se vestir, como deveriam ou não agir, por onde deveriam andar. Recentemente, grupos no mundo inteiro estão colocando a responsabilidade da mudança onde ela pertence: nos perpetradores e nas comunidades que os toleram.

“A razão pela qual tantas mulheres e meninas ouvem assobios e são assediadas todos os dias tem, ao contrário da opinião popular, pouco a ver com a nossa aparência ou como estamos vestidas”, disse Yola Mzizi, fundadora da Catcalls de Chicago* (ou Assédios Sexuais Verbais de Chicago). Ao invés disso, diz ela, tem tudo a ver com poder, misoginia e o desejo das pessoas de tirar a autonomia corporal de

Foto: Catcalls of NY

mulheres e meninas.

Yola é uma das muitas mulheres em todo o mundo que se mobilizam a fim de acabar com o assédio de rua através das mídias sociais e campanhas de base que abordam as causas subjacentes do problema.

Usando o giz

O Catcalls de Chicago faz parte do Chalk Back (Responda com um Giz, em tradução livre) — um movimento de mídias sociais iniciado por Sophie Sandberg em Nova York — e uma das 52 contas de mídias sociais em todo o mundo virtualmente unidas com o intuito de compartilhar experiências de assédios sexuais verbais de rua, desde o Catcalls de Berlim ao Catcalls de Bogotá.

Ao escrever com giz suas experiências de assédio sexual verbal na calçada da rua onde o assédio ocorreu, mulheres do movimento esperam conscientizar as comunidades a respeito do problema.

“A responsabilização para mim significa chamar algo por seu nome”, diz Karimot Odebode, fundadora do Catcalls da Nigeria*. “Podemos responsabilizar os assediadores e abusadores tendo uma lei que proteja todas as pessoas. Uma lei em vigor que criminalize o assédio sexual de ruas.”

Acabando com o assédio através de legislação

Dois anos atrás, as irmãs Maya e Gemma Tutton começaram uma campanha nacional, Nossas Ruas Agora* a fim de tornar o assédio sexual verbal de rua ilegal na Inglaterra e no País de Gales.

Na Inglaterra, duas em cada três meninas e moças entre 14 e 21 anos já vivenciaram assédio de rua, e uma em cada três afirma que foi quando elas usavam uniforme escolar, segundo a divisão do Reino Unido da entidade beneficente Plan International.

“Creio que todos podemos concordar que se sentir segura é uma exigência básica para viver sua vida”, declara Maya Tutton*.

Capacitando milhares de pessoas para intervirem

As mulheres não são as únicas a vivenciar assédio de rua. O Hollaback!*, movimento internacional on-line, vem incentivando mulheres, membros da comunidade LGBTQI+ e pessoas de cor a denunciar o assédio de rua ao redor do mundo através de blogs e aplicativos de celular desde 2005.

Com a possibilidade de fazer denúncias comunitárias on-line, os sobreviventes de assédio de rua conscientizam as pessoas a respeito da extensão do problema do assédio de rua de suas cidades.

O movimento Hollaback! Também oferece programas educacionais em intervenção de espectadores, para que quando as pessoas presenciarem um assédio de rua, possam ajudar a interromper o incidente com segurança. Em 2021, eles capacitaram mais pessoas do que nunca — mais de 240 mil em todo o mundo.

Prevenir e responder a todas as formas de violência de gênero é a pedra angular do compromisso do governo dos EUA de promover a democracia, os direitos humanos e a igualdade de gênero.

Este ano, os Estados Unidos vão divulgar o primeiro Plano de Ação Nacional dos EUA para Acabar com a Violência de Gênero.

Fonte: share.america.gov

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